combustíveis

Motoristas de matérias perigosas: “Temos sido ignorados”

A carregar player...

Reportagem em Aveiras de Cima, no CLC, a Companhia Logística de Combustíveis, onde os motoristas de matérias perigosas estão reunidos (vídeo).

Por baixo de um viaduto, protegidos da chuva, algumas dezenas de motoristas de matérias perigosas (e alguns jornalistas) esperam por novidades da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e do governo, sobre as suas reivindicações de melhores ordenado para quem trabalhar 12 a 15 horas por dia. É ali, em Aveiras de Cima, que está a CLC, a Companhia Logística de Combustíveis – o maior centro de abastecimento do país.

Vive-se um ambiente pacífico, só agitado quando a GNR surgiu com uma força para garantir que os motoristas não atacavam os colegas que saíam do CLC para fazer serviços mínimos. As vozes mais exaltadas surgem porque este motoristas garantem não estão ali para fazer mal a ninguém, mas depressa se dissipam com algumas vozes a dizer: “Eles [GNR] também não têm culpa nenhuma”.

Poucos minutos depois, perante a passagem por baixo do viaduto de camiões para abastecer no CLC e a ostentar folhas no vidro a indicar “Serviços mínimos”, ouvem-se palmas aos colegas, que respondem com buzinadelas. “Estamos juntos”, dizem alguns. Com o passar do tempo, alguns motoristas saem e prometem voltar quando houver novidades.

Falámos com três dos motoristas presentes, que nos contam o seu dia a dia, com médias de trabalho de 12 a 15 horas e de casos de colegas que trabalham 30 dias seguidos, um conteúdo que pode ver no vídeo acima. “Há 20 anos que não resolvem a nossa situação, só queremos que clarifiquem as nossas condições de trabalho e não ignorem o número de horas a mais que trabalhamos, as incluam nos nossos direitos”, diz Manuel Francisco, motorista de matérias perigosas, que garante que não se importam nada com os serviços mínimos.

Na nossa viagem até Aveiras vimos várias filas em estações de serviço e bombas da zona de Lisboa, das mais pequenas às da Segunda Circular. Na própria estação de serviço de Aveiras, sentido Lisboa-Porto, uma tabuleta indicava que já não havia diesel, só gasolina. No sentido contrário, Porto-Lisboa, ainda havia o desejado, por estes dias, diesel, mas estava previsto acabar em breve. Os serviços mínimos só garantem 40% de abastecimento nas zonas de Lisboa e Porto. “O caos vai manter-se na mesma, mesmo com os serviços mínimos, se não nos ajudarem a parar a greve”, diz-nos um dos motoristas.

Previsão para tudo terminar? “Quando o nosso sindicato, que tem sido brilhante, for verdadeiramente ouvido por quem pode mudar a nossa situação e fazer justiça”, diz Manuel Francisco.

Pela hora do almoço, surgiu no viaduto onde os motoristas estavam reunidos o advogado Pedro Henriques, vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), num depoimento que pode ler no seguinte link:

Crise dos combustíveis. “Se não negociarem connosco o caos vai continuar”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa (D), e o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (E), participam na conferência de imprensa no final de uma reunião, em Loures. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Costa: “Há países que foram colocados em listas vermelhas por retaliação”

João Rendeiro, ex-gestor do BPP

João Rendeiro, ex-presidente do BPP, condenado a pena de prisão

Amesterdão, Países Baixos. Foto: D.R.

Portugal perde quase 600 milhões de euros de receita de IRC para offshores

Motoristas de matérias perigosas: “Temos sido ignorados”