Emprego

Cruzeiros. Há cem mil empregos à sua espera

A MSC, que faz escalas em Lisboa, está a investir no reforço da frota. Até 2026 conta ter 25 navios em operação. FOTOGRAFIA: Direitos Reservados
A MSC, que faz escalas em Lisboa, está a investir no reforço da frota. Até 2026 conta ter 25 navios em operação. FOTOGRAFIA: Direitos Reservados

Oportunidades de emprego não faltam e os portugueses, pelo seu profissionalismo, são bem-vindos. Salários podem ser 200% superiores aos pagos em terra

A indústria mundial de cruzeiros está a registar um crescimento exponencial. Os números são ilustrativos. Só neste ano vai colocar 27 novos navios em operação, prevendo transportar 28 milhões de passageiros. Em dez anos, o número de turistas de cruzeiros aumentou 57%, segundo dados da Cruise Lines International Association (CLIA). Os estaleiros não têm mãos a medir, com encomendas asseguradas para a construção de mais de cem navios. Nos próximos anos, este ritmo de crescimento vai potenciar a criação de cem mil empregos.

Álvaro Sardinha, fundador da Agência Portuguesa de Marítimos (Apormar) e promotor da Feira de Emprego Trabalhar num Navio, frisa que a indústria de transporte marítimo de cruzeiros “tem atualmente a necessidade de contratar cem mil novos empregados para os navios existentes e para os 105 navios de cruzeiros já encomendados. Alguns destes navios têm capacidade para mais de cinco mil passageiros e dois mil empregados”. São verdadeiros hotéis flutuantes, à semelhança do da célebre série norte-americana da década de 80 The Love Boat.

A MSC Cruzeiros prevê recrutar até 2026 perto de 38 mil pessoas, entre on-board (70% a 75%) e off-board (25% a 30%), adianta Eduardo Cabrita, diretor-geral da empresa no mercado português. A companhia tem em curso um forte plano de expansão, que implica um investimento total de 17 mil milhões de euros e que se materializará numa frota de 25 navios até 2026. Nessa altura, a MSC será a terceira maior companhia de cruzeiros do mundo. E todo este projeto de crescimento sustenta-se nas projeções de aumento da procura deste género de viagem turística.

De facto, o interesse pelas viagens de cruzeiro tem disparado e, com isso, o emprego em navios. Eduardo Cabrita sublinha que os cruzeiros da MSC registaram, no ano passado, uma taxa de ocupação de 98%, sendo que o volume de negócios atingiu 2275 milhões de euros, um crescimento de 16,8% face a 2016. A companhia tem quase 24 mil funcionários e só no ano passado recrutou seis mil pessoas. A MSC marca presença em 70 países.

Segundo a CLIA, há mais de 400 mil profissionais só na Europa a trabalhar nesta indústria (entre navios turísticos e respetivas empresas) e de 2015 a 2017 foram criados mais 43 mil postos de trabalho. Os salários e outros benefícios dos trabalhadores do setor ultrapassaram, no ano passado, 12 mil milhões de euros. Os cruzeiros atraem cada vez mais as atenções, quer pelos serviços e experiências que oferecem quer pela possibilidade de conhecer muitos territórios (as escalas) em pouco tempo. O negócio está a apresentar índices de crescimento a nível mundial da ordem dos 8% a 10% ao ano.

Trabalhar num navio cruzeiro não é para todos, alerta Álvaro Sardinha. São 77 horas por semana e por um período mínimo de quatro meses. Segundo o ex-oficial da marinha mercante, “é preciso ter saúde física e mental”. A partir dos 18 anos (algumas companhias exigem 21 anos) qualquer pessoa pode-se candidatar a trabalhar num navio. “A vida no mar é para quem quer conhecer o mundo, para quem gosta de conviver, interagir com grandes grupos. É uma possibilidade de trabalhar, viajar e poupar. Não há saídas, não há despesas.”

Os salários “são muito atrativos, um empregado de mesa de 2.ª pode ganhar três mil euros líquidos, quando em Portugal ganha cerca de 700 euros”, defende. Também Eduardo Cabrita frisa que as remunerações “são competitivas, muito mais altas do que na mesma profissão em terra, até porque são 24 horas no mesmo local, longe da família…”. Nas suas contas, dependendo da função, a diferença salarial face a terra pode ir dos 80% aos 200%.

Todo este universo, em franco crescimento, pode ser uma oportunidade para os portugueses. De acordo com Álvaro Sardinha, “os profissionais portugueses são procurados para este mercado pelo seu talento, atitude e formação qualificada”.

As funções mais requisitadas são as das áreas de hotelaria, turismo e restauração, mas também existe falta de oficiais pilotos e de máquinas com experiência. A lista é longa: pasteleiros, cozinheiros, empregados de mesa, barmans, baristas, camareiros, rececionistas, guias intérpretes, cabeleireiros, técnicos de desporto e de animação, enfermeiros, informáticos… Como frisa, um navio cruzeiro é um hotel e também uma máquina que precisa de operadores. “É uma Las Vegas a flutuar, 24 horas de alegria, com atividades de entretenimento, de beleza, de desporto… há necessidade de quase todas as profissões.”

Eduardo Cabrita sublinha que “os portugueses são bem-vistos em funções de chefia, nomeadamente na área da hotelaria. São hospitaleiros e comunicativos e é habitual falarem mais do que uma língua”.
Neste capítulo, Álvaro Sardinha sublinha a importância de saber falar inglês para garantir um emprego num cruzeiro. Aponta ainda como requisitos fundamentais “a atitude e determinação – é preciso demonstrar que se quer mesmo trabalhar num navio e que não é apenas uma experiência -, formação profissional e experiência”. Curiosamente, “não é preciso saber nadar”.

Emprego em terra
A MSC, cujo principal negócio é o transporte marítimo de carga contentorizada, tem desde há três anos uma parceria com a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH), em Lisboa, para potenciar a formação de profissionais nas áreas da gestão de transporte de contentores e logística.
“A empregabilidade destes cursos tem atingido os 100%” e foi uma solução para responder às necessidades de recrutamento da empresa e da indústria de cruzeiros, segundo Carlos Vasconcelos, diretor-geral da MSC – Logística e Transportes. Todos os alunos da Academia MSC/ENIDH foram integrados ou na MSC ou em empresas da área. São cerca de 30 por ano.

Neste caso, o trabalho é em terra e está focado nas componentes operacional e comercial. O curso tem a duração de um ano e conjuga a teoria com a especialização prática da profissão, incluindo para isso visitas às principais infraestruturas logísticas a nível nacional.

Dadas as dificuldades em recrutar profissionais nesta área, Carlos Vasconcelos já lançou o desafio à ENIDH para abrir um curso idêntico em Leixões (Matosinhos) de forma a responder às lacunas de formação nesta área no norte do país. A MSC é o segundo maior grupo do mundo ao nível da carga de contentores (tem uma frota de perto de 500 navios) e está em Portugal desde 1991.

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