Saúde

CUF vai formar alunos médicos de universidade pública

Salvador de Mello, CEO do grupo CUF (Artur Machado/Global Imagens)
Salvador de Mello, CEO do grupo CUF (Artur Machado/Global Imagens)

CUF vai formar alunos de medicina, disponibilizando a sua experiência, os seus meios e os seus profissionais em parceria com a Nova.

Romper com o hábito. É o que faz o novo projeto da José de Mello Saúde: contrariando as críticas de fuga de médicos formados no ensino público para exercer no setor privado, o grupo vai formar alunos de medicina do público, disponibilizando a sua experiência, os seus meios e os seus profissionais para, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, garantir a formação de alunos e pós-graduados numa universidade pública.

Envolver o privado – sobretudo os meios – na formação de novos médicos é uma forma de devolver à comunidade. “É algo que devia acontecer cada vez mais, sim”, defende o diretor clínico da CUF e responsável pelo novo núcleo. “O privado está muito bem equipado, até por questões concorrenciais, e isso acontece não apenas ao nível de maquinaria, robôs ou tecnologia mas também do ponto de vista humano. E toda essa capacidade instalada pode ser ser posta ao serviço de novos profissionais, do ensino”, diz João Paço.

Com uma vertente clínica de prestação de cuidados de saúde, mas também de caráter académico e de investigação clínica, este será o primeiro Núcleo Académico Clínico afiliado da Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa, criado no contexto de um protocolo global de colaboração entre a JMS e a Nova iniciado em 2008 e reforçado em 2016 com o consórcio TAGUS TANK, com o compromisso conjunto de desenvolvimento de uma “parceria para a promoção e execução de um conjunto integrado de atividades de ensino e de investigação”.

“É possível ter uma unidade como esta no privado que além da atividade clínica tem a de docência e investigação científica. É uma cadeira de investigação clínica, pelo que beneficia os alunos, mas são os doentes os últimos destinatários. Ou seja, todos ganham: os alunos, que contactam com uma realidade diferente – desde doentes até maquinaria, tecnologia, a experiência de investigadores, etc. -, mas também os doentes.”

Formado antes do verão, o núcleo inaugurado nesta segunda-feira dá aulas desde julho. “Agora o que acrescenta aos 150 alunos que receberá por ano é a parte de investigação, que foi sendo construída e se traduz no número de doutoramentos: três já cumpridos e mais um a caminho, além dos trabalhos de investigação, que estão na base de publicações científicas em revistas estrangeiras e de todo o conhecimento divulgado amplamente depois”, explica o diretor clínico.

O projeto que a José de Mello Saúde apresenta nesta segunda-feira faz da CUF Infante Santo o primeiro hospital privado em Portugal a “integrar a atividade assistencial de prestação de cuidados de saúde com o ensino pré e pós-graduado e ainda com a investigação clínica, constituindo-se como o primeiro núcleo académico clínico de uma faculdade de Medicina”.

“Os núcleos académicos clínicos têm como principal objetivo a aplicação de conhecimento científico para a prestação de cuidados de saúde de qualidade ao serviço dos doentes, bem como o desenvolvimento de novo conhecimento científico e a transmissão do mesmo entre diferentes profissionais, incluindo novas gerações de profissionais e alunos pré e pós-graduados”, explica a José de Mello, apontando três grandes eixos: ensino, investigação e atividade assistencial clínica. Para a JMS, o “desenvolvimento integrado destas três vertentes é fator crítico de reforço continuado da qualidade e diferenciação do respetivo projeto clínico”.

Sob responsabilidade de João Paço, diretor clínico do Hospital CUF Infante Santo, Coordenador do Serviço de Otorrinolaringologia do hospital desde 1995 e Professor Catedrático Jubilado de Otorrinolaringologia, e com quatro professores assistentes convidados, dos quais três já doutorados, uma professora auxiliar convidada, e os restantes médicos, audiologistas e terapeutas da fala do serviço, o Núcleo Académico Clínico de Otorrinolaringologia e Patologia Cérvico-Facial terá “uma área de consultas com sete gabinetes, uma área de exames com todos os recursos necessários para o estudo dos doentes com patologia na vertente da otorrinolaringologia e cérvico-facial, equipamentos de exames de alta diferenciação, uma biblioteca, salas onde são ministradas as aulas da unidade curricular de otorrinolaringologia, a par de salas de bloco operatório”.

João Paço explica que, com a abertura da CUF Tejo – que terá “uma área de ensino enorme com anfiteatro, salas multiusos, centro de simulação, etc. – podemos melhorar a qualidade dos nossos médicos mas também dar aos alunos da Nova essa qualidade e experiência”. E o objetivo é ter mais núcleos académico-clínicos. Este que se inaugura na segunda-feira especializa-se em implantes cocleares, mas já se encontra em lançamento um segundo, virado para a área gastro-cirúrgica , com arranque previsto para o próximo ano. A ideia é replicar modelos de atividade clínica muito diferenciada, com centros de referência no interior – virados para a cirurgia robótica, colorretal, etc. “Vão aparecer novos centros e faremos da CUF Tejo um hospital com um grande impacto clínico nas doenças do futuro mas também no ensino”, acredita João Paço.

No primeiro semestre de 2018, menos de um quarto dos 18 388 médicos estavam em dedicação exclusiva ao SNS, segundo dados da Administração Central dos Sistemas de Saúde. Uma situação que o bastonário dos médicos reconhece ter que ver com a imensa carga de trabalho e remuneração não correspondente. Os jovens médicos “têm vencimentos medíocres para a responsabilidade que têm”, afirmou Miguel Guimarães esta sexta-feira na conferência SNS aos 40, avisando que “o grande desafio do Serviço Nacional de Saúde é manter-se atrativo para as novas gerações”.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno, ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Peso da despesa com funcionários volta a cair para mínimos em 2020

26/10/2019 ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Conselho de Ministros aprovou Orçamento do Estado

Marcelo Rebelo de Sousa, Christine Lagarde e Mário Centeno. Fotografia: MIGUEL FIGUEIREDO LOPES/LUSA

Centeno responde a Marcelo com descida mais rápida do peso da dívida

Outros conteúdos GMG
CUF vai formar alunos médicos de universidade pública