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Da TDT ao 5G: o que tem de acontecer até lá? 

Efeitos especiais em casa... com um smartphone
Efeitos especiais em casa... com um smartphone Foto: D.R.

A migração das frequências da televisão digital terrestre (TDT), na faixa dos 700 MHz, é o pontapé de saída para o arranque do 5G, previsto para 2020.

O que acontece no dia 27?
O emissor de Odivelas Centro é primeiro emissor de TDT, de um total de 240, que têm de ser ressintonizados para libertar a faixa dos 700 MHz para o 5G. Anacom quer o processo concluído até finais de junho. Em casa, se for cliente da TDT, tem apenas de ressintonizar o seu televisor para o novo canal e, se não conseguir, pode sempre ligar para o número gratuito 800 102 002. O call center, montado pela Anacom para o ajudar, tem capacidade para atender cerca de mil chamadas por dia. “Os gastos do call center, com fornecimento e serviços externos contratados, rondam cerca de 600 mil euros.”

O que é o 5G?
Com maior largura de banda, menor latência, a quinta geração móvel permite o transporte de grandes quantidades de dados, bem como tempos de resposta mais rápidos. Os carros autónomos, chãos de fábrica robotizados, telemedicina são algumas das promessas que poderão transformar-se em realidade com a quinta geração móvel. A Europa tem uma meta: em meados de 2020, cada país da UE deverá ter uma cidade com cobertura 5G.

Portugal está atrasado?
As opiniões dividem-se. Os operadores dizem que sim; a Anacom diz que não, o governo “nim” mas os “mínimos” exigidos pela Europa serão cumpridos. “Matosinhos (com a NOS) foi a primeira cidade a anunciar estar coberta por rede preparada para o 5G e Portugal cumprirá, por isso, o desígnio europeu de que cada país tenha uma cidade relevante coberta até 2020”, lembra Alberto Souto de Miranda. Tecnologicamente os operadores dizem estar preparados, tendo realizado inúmeros pilotos (videochamadas; chamadas em roaming, simulacros de socorro, chamadas em hologramas…) em cima de frequências temporárias cedidas pela Anacom. Até setembro, era um dos dez países europeus – com Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Finlândia, Holanda, Estónia e Roménia -, com mais pilotos realizados, em Aveiro, Évora e Porto, segundo o Observatório Europeu para o 5G, estrutura criada em 2018 pela Comissão Europeia. Mas se 16 países europeus já tinham realizado leilões para a atribuição das frequências – e alguns já lançaram comercialmente em cidades, caso da Vodafone em Espanha -, em Portugal, os operadores terão de esperar até janeiro para saber os termos do regulamento do leilão que deverá ocorrer em abril.

A rede é segura?
O tema da segurança das redes e da infraestrutura do 5G entrou na agenda mediática, com a administração de Donald Trump a levantar suspeitas de risco para a segurança nacional com a utilização de equipamento da Huawei na construção de redes. A empresa chinesa é, por exemplo, parceira tecnológica para o 5G da Altice e da NOS. “Sabemos que as vulnerabilidades vão aumentar e os riscos não devem ser menosprezados, nem artificialmente empolados. Não vamos anatemizar empresas, nem desconsiderar ameaças, sejam individuais ou sob agências estatais de várias latitudes”, refere o secretário de Estado adjunto e das Comunicações. E o mesmo diz a UE. As redes 5G contêm um risco de dependência dos operadores de redes móveis em relação aos fornecedores, o que poderá conduzir a “um maior número de vias de ataque que podem ser exploradas pelos perpetradores”, alertou em outubro a Comissão Europeia. A Agência Europeia para a Cibersegurança (ENISA) está a finalizar um levantamento específico das ameaças relacionadas com as redes 5G. “Até ao fim do ano, a ENISA deverá emitir recomendações sobre cibersegurança, que se espera horizontais e por processos de certificação de dispositivos e redes, independentemente da origem dos fornecedores”, referiu Alberto Souto de Miranda.

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