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Dados da OCDE confirmam abrandamento da economia

MÁRIO CRUZ/LUSA
MÁRIO CRUZ/LUSA

A economia portuguesa está a crescer a um ritmo mais lento e as perspetivas até ao final do ano não são otimistas. O Banco de Portugal divulga amanhã novos indicadores

A economia portuguesa continua a dar sinais de abrandamento e as perspetivas até ao final do ano são pouco animadoras. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou ontem que o indicador compósito avançado (mede alterações no ciclo económico) de Portugal situou-se, em abril, nos 99.76, ou seja 0,06% abaixo do nível 100, o que traduz uma desaceleração da economia. O país está abaixo desse limiar desde janeiro. Na zona euro, os indicadores situaram-se em abril em 100.1, uma décima a menos do que no mês anterior, o que também não confere tranquilidade à economia portuguesa.

“Temos estado a registar um arrefecimento da economia e afastarmo-nos da média do crescimento da União Europeia, o que é preocupante e perigoso”, considera o economista João Duque. O responsável sublinha o pior desempenho das exportações nos primeiros três meses do ano e recorda que, em abril, a procura turística no Algarve também caiu. A economia portuguesa está associada à procura externa, “não temos mercado interno para a sustentar”, logo qualquer travão do exterior é fator de preocupação, diz.

Para uma evolução favorável do produto interno bruto (PIB) português, Angola pode ser decisiva, caso o preço do petróleo mantenha a tendência de subida e as relações políticas entre os países fiquem estáveis. Este cenário “beneficiaria as exportações portuguesas”, embora o aumento do preço do petróleo implique negativamente no consumo dos portugueses.
João Duque recorda que o país viveu um momento altamente favorável, com taxas de juro e preços do petróleo baixos e o turismo e as exportações a crescer. “Agora, está-se a inverter tudo ao mesmo tempo”: o petróleo está a subir, as taxas de juro deverão encarecer e há sinais de abrandamento da procura externa, quer ao nível dos bens quer dos serviços.

Também o Banco de Portugal (BdP) já tinha assinalado esta travagem no crescimento da economia. O indicador coincidente mensal do BdP para abril “manteve a trajetória descendente iniciada em setembro de 2017”, ou seja, recuou para 1,8%. Isto significa que o crescimento foi o mais baixo desde outubro de 2016. Estes sinais menos favoráveis no quadrimestre suscitam dúvidas quanto ao crescimento que irá registar-se no final do ano.

Os números do Instituto Nacional de Estatística também não fogem ao cenário. O PIB registou, no primeiro trimestre, um crescimento em termos homólogos de 2,1%, penalizado pela queda das exportações e que compara com os 2,4% registados nos últimos três meses do ano passado. Amanhã, é divulgado o indicador para a atividade económica de maio.

Alemanha retraída
O conjunto dos países da OCDE situou-se nos 99,9 pontos, uma décima a menos do que o nível 100, que foi registada em março. Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido, as sete maiores economias, tiveram um crescimento de 100 pontos, uma décima menos do que no mês anterior.

A OCDE observou um crescimento estável nos Estados Unidos (100,2) e no Japão (99,9), baixas no Canadá (99,9), na Alemanha (100,3), na França (99,8), na Itália (100,2) e no Reino Unido (99). O organismo internacional registou uma consolidação do crescimento na Índia (101,2), estabilidade na Rússia (101) e no Brasil (103,8) e sinais de variação positiva na China (99,1).

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