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Os robots podem tirar o lugar ao CEO?

REUTERS/Nigel Treblin
REUTERS/Nigel Treblin

Presidentes das empresas discutiram, em Davos, as preocupações em torno do impacto dos robots e inteligência artificial nos postos de trabalho.

O impacto da robótica e da inteligência artificial na criação e preservação de postos de trabalho está cada vez mais a ser apontado como responsável pela redução na criação de emprego, depois de anos a acusar o mercado aberto e global.

A discussão em torno do impacto dos robots no mercado de trabalho foi um dos temas fortes do Fórum Económico Mundial, em Davos, a par com o abrandamento do crescimento económico na China e a tomada de posse de Trump. Os responsáveis das empresas admitem os ganhos de produtividade conseguidos com a tecnologia mas alertaram acerca dos danos colaterais nos empregos, um tema que tem de ser olhado com atenção, diz a Reuters.

O tema surgiu em força no Fórum em 2016, com a apresentação de um estudo que conclui que os robots vão substituir cinco mil milhões de empregos até 2020. Este ano, as preocupações subiram de tom. E até o Parlamento Europeu já veio dizer que os robots devem ser considerados “pessoas eletrónicas“, com personalidade jurídica e serem inscritos na Segurança Social em questões laborais.

Dados compilados pela Fast Company concluem que programas como software de inteligência artificial ou a mecanização vai ser responsável pela perda de 6% dos postos de trabalho nos Estados Unidos nos próximos cinco anos. E a Deloitte prevê que 39% dos trabalhos jurídicos podem ser automatizados na próxima década. Já os contabilistas têm 95% de probabilidade de perder o emprego.

Já uma análise da Infosys e citada pela Business Insider refere que mais de 80% das empresas estão a adotar ferramentas de inteligência artificial, com impacto na criação de novos empregos.

De taxistas a profissionais de saúde a vários outros setores, as tecnologias como a robótica, os carros autónomos ou a inteligência artificial e as impressoras 3D estão a colocar em risco vários tipos de emprego, concluíram os empresários, em Davos.

Leia mais: A nova geração de robots tem dedo de investigadores de Coimbra

Os exemplos são muitos e em vários setores. A Adidas, por exemplo, quer usar impressoras 3D no fabrico de ténis. A tendência da indústria 4.0 é cada vez mais presente em vários países (incluindo Portugal), enquanto os testes com carros autónomos, nomeadamente da Tesla, levantam polémica sobre segurança mas agradam as empresas.

“Vão perder-se empregos, os empregos vão evoluir e esta revolução não vai ter idade nem classe social e vai afetar toda a gente”, afirmou Meg Withman, CEO da HP.

Enquanto alguns defensores de Trump e do Brexit esperam que as novas políticas governamentais voltem a criar postos de trabalho os economistas estimam que 86% dos empregos na indústria dos Estados Unidos estão unicamente relacionados com produtividade, segundo o relatório anual de risco do Fórum Económico Mundial.

“A tecnologia é um grande tema e ainda não percebemos isso”, afirmou Mark Weinberger, chairman da EY, defendendo que a tendência tem sido sempre culpar os parceiros comerciais. E as mudanças políticas estão a levar os CEO a levarem mais a sério o desafio de empregos para a vida toda face ao exponencial avanço tecnológico.

“Acredito que estamos a chegar a uma altura em que poderemos ter de encontrar carreiras alternativas”, afirmou o presidente da Microsoft, Satya Nadella. E avisou que os investimentos serão tão elevados que é preciso muito cuidado para não cometer erros.

Na última década perderam-se mais empregos com a tecnologia do que com qualquer outro factor e o responsável de risco da Marsch, John Drzik, defende que a tendência se vai manter, o que vai “levantar desafios, sobretudo em termos políticos”, defendeu. O responsável diz ainda que em vez de se tentar reduzir a imigração através do encerramento das fronteiras se deve lidar com o impacto da tecnologia na destruição de emprego.

Por outro lado, os avanços tecnológicos também exigem uma força de trabalho cada vez mais qualificada, defenderam os responsáveis. Já a presidente da IBM, Ginni Rometty, considerou que a tecnologia pode levar a que algumas funções fiquem obsoletas mas que não vai matar empregos. “Não é uma questão de homem ou máquina”, afirmou, em Davos. “É uma questão de criar uma relação simbiótica”.

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