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DBRS mantém rating de Portugal acima de ‘lixo’ com perspetiva estável

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Ministério das Finanças sublinha que decisão “demonstra a justeza do caminho desenhado pelo Governo para promover a recuperação económica”

A agência de notação financeira DBRS manteve hoje o rating da dívida portuguesa em BBB (baixo) com perspetiva estável.

Em comunicado emitido esta sexta-feira, a agência canadiana refere que a nota atribuída “reflete a filiação de Portugal à zona euro e a sua adesão ao enquadramento de governação económica da União Europeia, o que contribui para fomentar políticas macroeconómicas credíveis”.

A agência de rating salienta, porém, que Portugal ainda enfrenta “desafios significativos, incluindo o elevado nível de dívida pública, o baixo potencial de crescimento, pressões orçamentais constantes e uma elevada dívida no setor privado”.

Na análise da agência, o país precisa de mais “ajustamento orçamental”, para que a dívida pública entre definitivamente numa trajetória descendente.

A agência aponta ainda o baixo crescimento registado na primeira metade do ano, que deve manter-se “modesto” no curto prazo, uma vez que o investimento e as exportações recuaram.

Apesar dos problemas inerentes, a DBRS enaltece os progressos na redução do défice e as “medidas pró-ativas para fortalecer o setor financeiro”.

Segundo a agência, a execução orçamental até setembro “parece estar a correr bem”, e o défice deverá ficar abaixo dos 3% este ano.

“O governo minoritário de centro-esquerda continua a demonstrar-se comprometido em cumprir com as regras orçamentais da UE e as reformas estruturais mais importantes não deverão ser revertidas. Além disso, o governo está a caminhar no sentido de resolver as vulnerabilidades do setor financeiro”, lê-se no documento.

A agência de rating constata que algumas medidas de austeridade implementadas durante o programa do FMI foram revertidas e medidas novas, “que poderão ser temporárias”, foram adotadas.

A DBRS dá o exemplo do perdão fiscal anunciado este mês pelo governo, que poderá “dar um impulso” às receitas fiscais.

A agência deixa ainda um aviso: “a dependência do governo em relação aos partidos de esquerda pode impedir a adoção de medidas mais duradouras”.

Sobre o setor financeiro, a agência ressalva o plano de recapitalização da CGD como um passo “encorajador”.

A DBRS salienta a importância de Portugal estar integrado na zona euro, e considera que se o país precisar de apoio financeiro adicional, a União Europeia estará disponível para contribuir.

A agência canadiana é a única das reconhecidas pelo Banco Central Europeu que mantém Portugal acima da categoria ‘lixo’, o que significa que um corte do rating deixaria Portugal de fora do programa de compra de ativos do BCE.

“Satisfação” nas Finanças

Na reação à decisão da DBRS, o ministério das Finanças sublinhou que “demonstra a justeza do caminho desenhado pelo Governo para promover a recuperação económica” e “aumenta a nossa confiança e a dos mercados nas políticas escolhidas para o país”.

Na visão das Finanças, “a avaliação da DBRS sobre a economia portuguesa tem sido partilhada nos últimos dias em declarações públicas de reconhecimento do progresso realizado em Portugal, destacando-se as do Presidente do BCE”.

O ministério chefiado por Mário Centeno sublinha que ainda que “o Governo regista com satisfação este reconhecimento, reafirmando o prosseguimento das metas traçadas nos Programas de Estabilidade e Nacional de Reformas para gerar crescimento económico inclusivo, com mais emprego e mais rendimento para trabalhadores e empresas”.

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