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Dívida. DBRS sobe perspetiva do rating de Portugal para positiva

Elisa Ferreira, Mário Centeno e Carlos Costa. Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA
Elisa Ferreira, Mário Centeno e Carlos Costa. Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA

Portugal com o mesmo rating da Colômbia. "Juros mais baixos são boa notícia para famílias e empresas, que podem assim investir", diz Centeno.

A perspetiva da dívida pública portuguesa melhorou de estável para positiva, anunciou esta sexta-feira a agência de notação financeira (rating) DBRS.

A empresa canadiana manteve a dívida no patamar BBB (dois níveis acima de lixo, o anterior é BBB baixo), mas com a subida do outlook para “positivo” significa que a República Portuguesa fica mais perto de subir de patamar, para BBB alto. Ou seja, o risco do crédito é menor, quanto mais alta for esta nota.

Isso, a acontecer, será mais tarde, neste ano. A próxima avaliação da DBRS está marcada para 4 de outubro, dois dias antes das eleições legislativas.

A última promoção feita pela DBRS à dívida portuguesa aconteceu a 20 de abril do ano passado, quando subiu o rating de BBB baixo para o atual BBB. Mais tarde, a 12 de outubro, haveria de avaliar novamente o país, reafirmando essa nota BBB.

Portugal mantém assim, para já, um rating igual ao da Colômbia, de acordo com esta agência. Logo acima, à frente de Portugal (com BBB alto) surgem Itália e México.

Imediatamente abaixo de Portugal surgem Uruguai e Chipre, segundo informações da própria agência.

Recorde-se que a DBRS foi a única agência de rating que, durante a crise, manteve a qualidade da dívida de Portugal acima de “lixo” ou ativo especulativo, portanto elegível para os apoios do BCE que foram cruciais durante esses anos mais difíceis.

Os motivos

A DBRS decidiu melhorar a perspetiva para positiva porque o crescimento económico tem condições para continuar a um ritmo superior ao da média europeia.

A agência repara também que o país conseguiu reequilibrar as contas externas e reduzir muito os volumes de crédito em incumprimento (malparado e outros, os chamados NPL).

A redução dos NPL ajuda a mitigar os problemas que ainda toldam a atividade bancária sedeada em Portugal, pois ajudam a manter a estabilidade financeira do país, diz a empresa.

Nota positiva também para a redução do défice público para 0,5% em 2018, um nível já muito próximo do equilíbrio, 0% do produto interno bruto (PIB), e para a redução do rácio da dívida, embora esta ainda esteja em níveis demasiado elevados, acima dos 120% do PIB.

A DBRS considera que o país deverá continuar a baixar o fardo da dívida ao longo dos próximos anos, em todo o caso.

Centeno feliz

Como seria de esperar, o ministro das Finanças reagiu com agrado a mais este sinal das agências de rating, isto três semanas depois de a Standard & Poor’s (S&P) ter subido o rating português em mais um nível, de BBB- para BBB — a melhor classificação dos últimos oito anos, segundo a agência norte-americana.

Numa nota enviada às redações, o gabinete de Mário Centeno diz que a perspetiva positiva atribuída à notação da dívida pública portuguesa “mantém o ciclo de valorização da dívida da República Portuguesa iniciado em setembro de 2017 por parte das quatro principais agências de rating a nível global” e “traduz a confiança na evolução que se tem verificado tanto na economia como nas finanças públicas portuguesas”.

As Finanças relembram que “a taxa de juro das obrigações portuguesas a 10 anos no mercado secundário tem estado ao longo da última semana sempre abaixo de 1,3%, um valor sem paralelo histórico, e o diferencial face a Espanha tem também vindo a reduzir-se ao longo de 2019″.

Mário Centeno diz, comentou ele próprio, que “a consolidação do equilíbrio das finanças públicas portuguesas tem permitido a redução sustentada dos custos de financiamento do Estado”. “Só em 2018, face a 2015, significou uma poupança em juros superior a 1.250 milhões de euros”.

“Juros mais baixos são uma boa notícia para as famílias e as empresas, que podem assim investir a custos mais reduzidos. Não estamos, portanto, a falar de um indicador abstrato, mas de uma orientação política com impacto concreto na vida das pessoas”, assinala Centeno.

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