Cortiça

De Nova Iorque até ao espaço. Amorim quer acabar com a “lei da rolha” na cortiça

Foto: Corticeira Amorim, Ricardo Gonçalves
Foto: Corticeira Amorim, Ricardo Gonçalves

A Corticeira Amorim produz mais de 25 milhões de rolhas, mas o seu CEO acredita que o futuro passará cada vez mais por outras aplicações.

Em 2020 haverá cinco instalações em Nova Iorque patrocinadas pela líder mundial do setor.

“O problema da cortiça é que os portugueses e os espanhóis conhecem-na, mas o resto do mundo só conhece a rolha. Temos de mudar isso”. Foi com este diagnóstico que António Rios Amorim apresentou hoje o novo projeto da Corticeira Amorim. Chama-se City Cortex e vai conquistar Manhattan no próximo ano.

Em parceria com a experimentadesign, a maior produtora de produtos de cortiça do mundo lançou um desafio a cinco estúdios de design e arquitetura: criar instalações em cortiça destinadas ao espaço público, para que qualquer cidadão possa usufruir delas. O resultado estará à vista a partir de junho em Nova Iorque.

Os escolhidos foram os arquitetos Diller Scofidio + Renfro, Gabriel Calatrava e Leong Leong e os designers Philippe Starck e Sagmeister & Walsh. Os projetos serão desvendados em fevereiro em Nova Iorque, mas podem variar entre um parque público, a entrada de uma estação de metro, um restaurante ou o lóbi de edifício.

“A cortiça é um material de valor extraordinário e deve ser trabalhado de outra forma a ter mais valor para a sociedade. Não podemos deitar cidades abaixo e construir de novo, mas as cidades têm de ser redesenhadas. Queremos aplicar a inovação que Amorim trouxe à cortiça no contexto urbano”, explicou Guta Moura Guedes, presidente da experimentadesign, durante a apresentação do projeto.

António Rios Amorim, Guta Moura Guedes e Philippe Starck. Foto: Corticeira Amorim

António Rios Amorim, Guta Moura Guedes e Philippe Starck. Foto: Ricardo Gonçalves, Corticeira Amorim

As instalações estarão disponíveis durante dois ou três meses. Mas os responsáveis acreditam que o projeto, tal como a cortiça, pode durar anos.

“O que está a ser criado vai ser importante para a cidade. Já fizemos instalações temporárias que passaram a ser permanentes, o que seria interessante neste caso. Algumas têm características fáceis, outras são mais exigentes e requerem mais investimento. Também gostaríamos que outras cidades ficassem entusiasmadas com o projeto e implementassem as soluções. Lisboa e Porto, por exemplo”, desafiou Guta Moura Guedes. O investimento da Corticeira no projeto ainda não está fechado, e vai depender do caráter permanente que as instalações possam vir a ter.

“Não é possível sair do planeta Terra sem cortiça”

As expectativas em torno do City Cortex são grandes, admite a responsável. E não foi por acaso que Nova Iorque foi a cidade escolhida. Para a Corticeira Amorim, a “grande maçã” pode ser a rampa de lançamento para outros voos.

“Quisemos explorar o potencial da cortiça em ambiente urbano e escolhemos Nova Iorque para maximizar o impacto do projeto, porque é a cidade que representa o urbanismo no seu máximo esplendor. Com este projeto pretendemos ter um pé nos EUA. É o país do mundo que mais acredita na cortiça além da rolha. Há 100 anos que a transformam industrialmente”, sublinha António Rios Amorim.

Os Estados Unidos são um dos principais destinos de exportação e “de longe o mercado com maior potencial de crescimento e desenvolvimento” para a Corticeira, revela o CEO. Uma das parcerias mais antigas que a empresa nacional tem do outro lado do Atlântico é com a NASA.

“Tem uma importância grande para o negócio. A NASA descobriu que a cortiça tem características únicas para proteger as naves espaciais. O grande negócio hoje é o lançamento de satélites. Temos uma unidade no estado de Wisconsin dedicada à produção de cortiça para uso espacial. Um astronauta que nos visitou no ano passado disse: “you can’t leave Earth without cork” (“não é possível sair da Terra sem cortiça”), revela o CEO da Corticeira.

Stefan Sagmeister - Sagmeister & Walsh. Foto: Ricardo Gonçalves, Corticeira Amorim

Stefan Sagmeister – Sagmeister & Walsh. Foto: Ricardo Gonçalves, Corticeira Amorim

 

Nos últimos anos, a investigação tem sido a grande aposta do grupo. Para António Rios Amorim, isso não significa que haja uma inversão da estratégia da empresa. “O que há é uma renovação e uma maior ambição quanto ao futuro”.

A meta da Corticeira é fazer com que a matéria-prima “tenha mais usos de valor acrescentado”, até porque, acredita o CEO “ainda há muito potencial para explorar, e o que há para fazer é mais do que foi feito até hoje”.

As rolhas ainda representam cerca de 70% do volume de negócios da empresa, um valor que se tem mantido estável ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, representam 27% da quantidade de cortiça exportada. “Não há nenhuma aplicação que crie tanto valor à cortiça como a rolha”.

Para expandir o âmbito do negócio, a Corticeira tem tentado encontrar aplicações com o mesmo grau de eficiência. “A empresa mais inovadora do grupo, a Amorim Cork Composits, tem um volume de negócios de 100 milhões de euros, dos quais cerca de 15% são aplicações que há três anos não existiam. É esse ritmo que queremos ter”.

Sem fazer previsões, Rios Amorim adianta apenas que é muito provável que as novas aplicações da cortiça venham a ganhar expressão no volume de negócios da empresa nos próximos anos.

A Corticeira Amorim deverá fechar 2019 com um volume de negócios na ordem dos 800 milhões de euros. Pela positiva o CEO destaca a “ajuda” do dólar às exportações. Pela negativa, a “campanha fraca” dos vinhos de 2017, que impactaram os números ate junho. No final do ano o crescimento face a 2018 deverá rondar os 3%.

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