Deco Proteste. Dívida da SIC é atrativa, apesar do "alto risco"

Televisão da Impresa aproveita a liderança de audiências para se financiar. Procura é elevada.

A SIC está no mercado para se financiar e sacou das caras fortes da estação para vender obrigações a três anos. O juro ilíquido de 4,5% e a promoção da operação feita por estrelas do canal, como Cristina Ferreira e Diana Chaves, levaram a uma procura forte. O interesse foi de tal ordem que permitiu à empresa aumentar o valor da emissão em mais de 20 milhões.

A SIC revelou ontem que, até dia 19, havia ordens de subscrição no valor de 86,5 milhões de euros. E aumentou o valor do financiamento de 30 milhões para 51 milhões de euros. A empresa garante que não vai fazer mais aumentos do montante a emitir.

A Proteste Investe considera que a operação é atrativa, apesar de envolver obrigações de “alto risco”. “A SIC está a propor uma boa rentabilidade face ao risco”, diz André Gouveia, economista da Proteste Investe. Mas, ainda assim, recomenda que se coloque apenas uma pequena proporção dos investimentos nestes títulos.

É a primeira ida ao retalho do grupo. Até aqui, a dona da SIC e do Expresso dirigia-se apenas a institucionais, mas com diferentes graus de sucesso. Em 2014, emitiu 30 milhões em dívida, tendo o reembolso ocorrido no final do ano passado. Já a segunda tentativa em 2017 caiu por terra, tendo a Impresa retirado a emissão de 35 milhões, invocando alterações de mercado de media: pouco tempo depois de ter anunciado a emissão, foi conhecida a tentativa de compra da TVI pela Altice (dona do Meo).

Agora avança para o retalho através da SIC, líder de audiências desde fevereiro, após ter suplantado, depois de 12 anos, a TVI nas preferências dos telespectadores. Quer “diversificar as fontes de financiamento e alargar a maturidade média da dívida”. Em março, a Impresa tinha uma dívida líquida de 176,9 milhões (-4,7%).

Os prós e contras

Ser uma emissão da SIC e não da Impresa não é necessariamente negativo. Se por um lado “aumenta o risco, por outro, expõe o investidor a um negócio muito concreto e que, no limite, me parece que terá comprador ou financiador em caso de dificuldades”, considera Filipe Garcia, economista da IMF. “Haverá também a hipótese de rolar este empréstimo obrigacionista com outro no final. O bom momento das audiências torna a emissão aparentemente mais interessante para os investidores.”

“A SIC goza de um fator de popularidade e proximidade, potenciada pela manobra de marketing que usa figuras públicas muito próximas dos consumidores (aforradores-alvo), pelo que é natural que os aforradores sintam com isso algum conforto e aceitem tomar maior risco, que não é facilmente percecionável nesse contexto”, diz Octávio Viana, presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM). “Não se estranha o insucesso na colocação institucional (que olha para o rácio dívida/EBITDA e exige um brutal prémio de risco que não foi oferecido) e o sucesso no retalho, que nem sabe o que significa esse rácio, mas que conhece e gosta muito da Cristina Ferreira.”

A Proteste Investe realça, no entanto, que há duas situações que ‘protegem’ q.b os obrigacionistas. Tanto a SIC como a Impresa são obrigadas a respeitar durante o período da emissão (2019-2022) limites máximos de dívida financeira líquida e o EBITDA recorrente, sendo que em caso de a Impresa deixar de ser controlada por Pinto Balsemão (ou seus sucessores) os obrigacionistas podem pedir o reembolso antecipado.

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