Defesa de Jardim Gonçalves diz que processo resulta de “assalto ao poder no BCP”

Jardim Gonçalves fundou o BCP
Jardim Gonçalves fundou o BCP

A defesa de Jardim Gonçalves alegou hoje em julgamento que o processo-crime contra o antigo presidente do BCP e três outros gestores serviu para justificar “o assalto do poder no BCP” em 2007.

Reclamando a inocência de Jardim Gonçalves quanto aos crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos, Magalhães e Silva frisou que “o que esteve em curso foi um assalto de poder no BCP”, com a nomeação de dois “comissários políticos”: Santos Ferreira e Armando Vara (antigo ministro socialista).

O defensor de Jardim Gonçalves advertiu que durante o julgamento não “irá branquear a atuação da CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] e do Banco de Portugal”, que condenaram os arguidos à inibição de exercer cargos bancários, impedindo que a equipa do BCP pudesse regressar ao banco.

Segundo Magalhães e Silva, os factos imputados pela acusação não constituem crime e se constituíssem Jardim Gonçalves não era responsável por tais atos, já que tinha a seu cargo a função de definir a “estratégia, expensão e parcerias” do BCP.

Antes, a procuradora Leonor Machado havia sublinhado que as operações atribuídas aos arguidos Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christhoper de Beck e António Rodrigues visaram “esconder os prejuízos” de muitos milhões de euros do banco, prestando falsas informações ao mercado.

A procuradora pretende ainda provar que os arguidos utilizaram 17 ‘offshores’ nas ilhas Caimão para melhorar artificialmente a “liquidez” das ações do BCP.

Carlos Pinto de Abreu (advogado de Filipe Pinhal), Rogério Alves (defensor de António Rodrigues) e Francisco Proença de carvalho (mandatário de Christopher de Beck) fizeram também exposições introdutórias para demonstrarem que a acusação não tem lógica e que os arguidos não estão a responder pelos atos praticados, mas pelos cargos e altas funções que exerciam no BCP.

Alegaram ainda que as operações realizadas com as ‘offshores’ não serviu para ocultar perdas, mas para recuperar créditos, o que é perfeitamente legítimo.

Os quatro arguidos identificaram-se em tribunal e declararam a intenção de falar em julgamento, muito embora António Rodrigues só o pretenda fazer no final da produção de prova.

O coletivo de juízes, presidido por Anabela Morais, comunicou que a Ordem dos Economistas não disponibilizou um perito para assessorar o tribunal em matérias específicas, conforme era intenção do tribunal ao julgar este processo complexo.

A juíza vai agora fazer pedido idêntico ao presidente do ISEG, João Duque, que deverá ser ouvido em tribunal a propósito do valor das ações do BCP.

O julgamento prossegue da parte da tarde de hoje, com a presença de todos os arguidos.

O julgamento do processo-crime relativo ao caso BCP que hoje arrancou tinha sido adiado há cerca de um ano devido à participação dos arguidos num outro processo, em que membros da anterior gestão do banco recorrem das coimas aplicadas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por prestação de informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens

Economia portuguesa afunda 16,3% entre abril e junho

Visitantes na Festa do Avante.

Avante!: PCP reduz lotação a um terço, só vão entrar até 33 mil pessoas por dia

covid 19 portugal casos coronavirus DGS

Mais 235 infetados e duas mortes por covid-19 em Portugal. Números baixam

Defesa de Jardim Gonçalves diz que processo resulta de “assalto ao poder no BCP”