Défice e dívida tiram dois lugares a Portugal na competitividade

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Depois de em 2014 ter conseguido a proeza (inédita) de subir de uma vez só 15 posições no ranking mundial de competitividade, Portugal perdeu neste ano duas, fixando-se agora em 38.º lugar, num conjunto de 140 economias. A pesar nesta classificação geral estão indicadores macroeconómicos, como o défice e a "enorme" dívida pública, o acesso ao crédito ou o efeito dos impostos e dos incentivos fiscais no investimento.

Na lista elaborada pelo World Economic Forum – ontem divulgada em Lisboa -, Suíça, Singapura e Estados Unidos mantêm-se irredutíveis nos três primeiros lugares.

Apesar da descida do 36.º para o 38.º lugar (movimento que foi acompanhado pelas subidas da Lituânia e da República Checa), Portugal registou melhorias em metade dos 12 indicadores que são tidos em conta na elaboração deste ranking mundial de competitividade. Entre os que mais subiram está a eficiência do mercado laboral, que avançou 17 posições, ainda que esta continue a ser uma das matérias em que Portugal se revela menos competitivo (surgindo na 66.ª posição).

Este movimento não passou despercebido ao WEF, que inclui Portugal no grupo de cinco países (com França, Irlanda, Itália e Espanha) em que se “observa uma melhoria significativa nas áreas da concorrência e da eficiência do mercado de trabalho graças às reformas que foram implementadas”. Chipre e Grécia, que também foram intervencionados, “não conseguiram melhorar nestes pilares”.

Há, no entanto, indicadores em que Portugal continua a comparar mal e a descer em termos internacionais. E o que mais impede que o país surja mais bem posicionado neste ranking é a estabilidade macroeconómica, penalizada pelo défice e pela dívida. A travar um melhor desempenho geral está ainda a eficiência do mercado financeiro. Neste capítulo, a dificuldade no acesso ao crédito e a solidez das instituições são os temas mais penalizadores.

O problema do acesso ao financiamento não é um exclusivo de Portugal, como assinala o relatório, ao referir que este é mesmo “o principal obstáculo ao crescimento nas economias desenvolvidas”. Apenas nos Estados Unidos esta restrição (que começou a instalar-se em 2007 na sequência do subprime e se foi reforçando com o avançar da crise) está sanada. Ainda assim, os dados recolhidos para Portugal revelam que os empresários estavam mais pessimistas há dois anos. “O acesso ao crédito melhorou bastante por comparação com o que se passava há dois anos, em que esta era a principal preocupação revelada pelos empresários”, referiu ao DN/Dinheiro Vivo Ilídio Serôdio, da Associação para o Desenvolvimento da Engenharia, e um dos oradores na conferência que ontem marcou a divulgação do ranking em Portugal.

A par do financiamento, o que mais preocupa os empresários é a carga fiscal praticada em Portugal (esta passou, neste ano, a ser a sua principal preocupação, apesar da descida do IRC) e a burocracia. Estes três fatores persistem no top 3 há vários anos, ainda que troquem de posição regularmente.

Os pontos mais negativos que travam a competitividade da economia portuguesa contrastam com aqueles em que o país quase lidera a tabela. E onde é que isso sucede? Na qualidade das estradas, que surgem em 4.º lugar, o mesmo que é ocupado pelo número de dias necessário para iniciar um negócio. Portugal é igualmente um exemplo a seguir quando a análise incide sobre as taxas alfandegárias ou a qualidade das escolas secundárias.

Olhando para a descida dos dois lugares, Ilídio Serôdio desvaloriza-a, classificando quase como um “ajuste técnico” que não prenuncia nenhuma tendência. Uma posição que é partilhada pelo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes.

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