Depois da entrevista, os números: como Sócrates deixou o país (e como está agora)

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Vinte meses depois da derrota nas legislativas, em junho de 2011, José Sócrates regressa esta semana à RTP
para a primeira entrevista desde que deixou o Governo. Os
números – e o legado económico do ex-primeiro-ministro – prometem ser temas centrais.

O desemprego

No segundo trimestre de 2011, o INE estimava que 675 mil pessoas estivessem
desempregadas: 12,1% da população actva. Este valor até tinha caído face ao trimestre
anterior, mas já se começavam a notar os efeitos da crise – só a construção tinha
perdido 80,8 mil empregos face ao período homólogo.

Quase dois anos depois, os números são bem piores. Na 7ª avaliação do memorando da troika, feita este mês, Vítor Gaspar
admitiu que a média anual desemprego será de 18,2%, com este indicador a
atingir os “quase 19% da população ativa no final de 2013 e início do próximo ano”, admitiu o ministro das Finanças.

A tendência é estrutural: até
2015, o desemprego deverá manter-se acima dos 18%, segundo as previsões económicas desenhadas na última avaliação do memorando.

A dívida

Em fevereiro de 2005, quando
Sócrates subiu ao Governo para o seu primeiro mandato, a dívida total do
país ascendia a 91 mil milhões de euros, segundo os números do IGCP. Seis anos depois, no final de
2011 e acompanhando a subida dos níveis de endividamento na Europa, a
dívida portuguesa já ascendia a 164 mil milhões de euros, incluindo os
primeiros oito mil milhões de ajuda concedidos pela troika.

Nesses seis anos, a dívida em percentagem do
PIB subiu de 61,7% (final de 2005) para 108,1% do PIB (final de 2011).
Hoje está pior: no final de Fevereiro, Portugal ultrapassou pela primeira vez os 200
mil milhões em dívida (e esta já representa 122,4% do
PIB). Nas contas do Governo Passos pesam sobretudo os 63,9 mil milhões de euros emprestados pela troika no âmbito do programa de assistência financeira. O pacote total de financiamento, com tranches até meados de 2014, ascende a 79,5 mil milhões, mas parte do envelope destinado à banca – 12 mil milhões – ainda não foi utilizado.

O défice

Junho de 2011, o mês da saída de Sócrates, dá apenas uma leitura parcial das contas orçamentais nesse ano, mas os dados preliminares avançados pelo INE para o segundo trimestre mostravam que o défice
público ascendia nesse mês a 7,7% do PIB (3,1 mil milhões de
défice), acima do objetivo de 5,9% previsto pelo Eurostat.

No
final de 2011 – e já depois de o governo de Passos Coelho ter aplicado um corte
de 50% no subsídio de Natal – o défice orçamental fechou o ano nos 4,4% do PIB. Um
ano mais tarde, os números voltariam a subir – e Portugal reportaria um défice de 6,6% a Bruxelas no fecho de 2012.

A recessão

No boletim para o verão de 2011, logo após a mudança de Governo, o Banco de Portugal previa uma contração de 2% do PIB para o final desse ano. A quebra final seria menor, mas o produto recuaria, mesmo assim, 1,6%

2012 foi ainda pior, com a quebra no consumo e a recessão externa a arrastarem o produto para uma queda de 3,2%, a maior desde 1975.

Em 2013, a recessão continuará a acentuar-se. Segundo as estimativas do Banco de Portugal, divulgadas esta semana, o PIB cairá 2,3% este ano e só recupera em 2014. Aqui, os números de Carlos Costa são mais otimistas do que os do Governo, esperando um crescimento de 1,1%. Mesmo assim, o BdP admite que esta previsão pode ser alterada pela profundidade da reforma do Estado – e por novos cortes na despesa.

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