Depois de Bollywood, turismo vira-se para Hollywood

Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, aponta um crescimento de dois dígitos em 2018, face aos 15 mil milhões de há um ano.

Portugal poderá ser cenário de filmagens de grandes produções de Hollywood. Produtores da Warner Bros, Paramount, Disney e HBO, entre outros grandes estúdios norte-americanos, visitaram recentemente Portugal para conhecer o país como potencial cenário para filmagens. Depois de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana, o Turismo de Portugal vira-se agora para Hollywood para atrair produções internacionais para filmar no mercado nacional.

“Temos trabalhado muito ao nível de captação de filmes internacionais para Portugal e isto dá muita notoriedade”, adianta Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, ao Dinheiro Vivo. No âmbito destas ações de promoção de Portugal nos EUA, mercado estratégico onde o Turismo de Portugal tem vindo a apostar, “dez produtores americanos de top estiveram a viajar e a conhecer Portugal como sítio de locations (local para filmagens). Tivemos a Disney, a HBO, a Warner, a Paramount...”, revela Ana Mendes Godinho.

“Tem sido extraordinário o que tem acontecido. Criámos um programa de captação de filmagens (o Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual) e, neste momento, somos o fundo europeu mais competitivo em termos de captação de filmagens”, argumenta a responsável da pasta de Turismo. “O fundo foi aprovado há um mês. Temos 14 filmes em pipeline. Temos uma co-produção americana e italiana sobre Fátima já a ser filmada em Portugal, com o Harvey Keitel”, adianta.

Uma equipa do Turismo de Portugal e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) esteve há uma semana no American Film Market, em Los Angeles – uma das maiores feiras de negócios na área do cinema, com presença de mais de 7 mil executivos deste sector - para promover Portugal como destino de filmagens.

Mas não só. Fruto do trabalho já realizado no mercado indiano, “está a ser filmado um grande filme de Bollywood em Portugal. Estiveram em Lisboa há duas semanas, na semana passada no Porto e andam pelo país a filmar”, conta Ana Mendes Godinho. “Já foram filmados, ao longo deste ano, creio, que três filmes. Estamos a posicionarmo-nos no mapa das filmagens internacionais”, acredita a secretária de Estado do Turismo.

Um posicionamento que traz ganhos de notoriedade para o destino turístico Portugal, mas milhões de investimento. Só projetos já aprovados pelo Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual, que incluem produções dos EUA, Índia, Brasil, Portugal ou Itália, e várias coproduções de Portugal e França, ou Portugal, Espanha e França, representam um investimento de 23,7 milhões de euros em filmagens no país, segundo dados divulgados este mês pelo Ministério da Cultura.

Aposta na diversificação de mercados

A abordagem aos produtores norte-americanos é uma das várias iniciativas que o Turismo está a desenvolver para promover Portugal como destino. “Estamos a trabalhar bastante na promoção da herança judaica em Portugal. A comunidade judaica americana é a segunda maior no mundo a seguir a Israel e com uma rede capilar muito interessante. Temos estado a trabalhar com eles, promovendo Portugal como um país aberto, que promove pontes, que derruba muros, que quer atrair pessoas para viver, para investir, para estudar”, exemplifica Ana Mendes Godinho. O Governo desenvolveu ainda um programa de reconhecimento da nacionalidade para descendentes de judeus sefarditas. “É impressionante o número de pedidos: já ultrapassa os 10 mil o número de judeus sefarditas que estão a pedir a nacionalidade portuguesa.”

E o mercado norte-americano está a reagir. Misto da promoção de Portugal neste destino – do qual a ação da onda gigante da Nazaré em Times Square, Nova Iorque, é apenas um exemplo – e do TAP Stop Over, o número de visitantes norte-americanos duplicou nos últimos dois anos, e as receitas também, reconhece a secretária de Estado. “Estados Unidos, Índia, China, Coreia do Sul, Canadá, Brasil são aposta. Mas também mercados da América do Sul, como México, que são dos turistas que mais gastam quando viajam. No México vamos ter oportunidade de comunicação com a presença de Portugal como destino convidado na feira do livro de Guadalajara”, diz Ana Mendes Godinho.

“Cada vez mais trabalhamos nestes grandes mercados de diversificação, em que nem precisamos fazer grandes esforços de comunicação porque já têm ligação histórica a Portugal. Vamos aproveitar esse grande instrumento de comunicação que são as comemorações de Fernão de Magalhães (cujos 500 anos da viagem de circum-navegação se assinalam em 2019). Temos uma grande estratégia de comunicação desenhada.”

Brexit e o impacto no turismo

Uma diversificação que visa também contrabalançar impactos do Brexit no turismo, um dos sectores em maior risco devido à saída do Reino Unido da União Europeia, segundo o estudo Brexit - As consequências para a economia e as empresas portuguesas, da CIP. Só em 2016 passaram por Portugal cerca de dois milhões de hóspedes britânicos, representando 21% do total, e 28% das dormidas em estabelecimentos hoteleiros. E a desvalorização da libra face ao euro (já perdeu cerca de 14% entre o referendo e o início de setembro deste ano) é outra fonte de preocupação, pois poderá desencorajar os britânicos a viajarem para países do Euro, como é o caso de Portugal, alerta o estudo da CIP.

“Estamos muito atentos ao Brexit e a desenvolver um conjunto de ações para atenuar os possíveis efeitos”, admite Ana Mendes Godinho. “O Reino Unido tem um grande peso essencialmente em duas regiões, Madeira e Algarve. Para isso, em dezembro temos preparada uma ação com as nossas empresas turísticas e operadores turísticos britânicos e as associações principais de operação turística britânica que virão a Portugal.”

O turismo está a ainda “a trabalhar várias áreas de comunicação, de notoriedade, que nos permitem atingir os segmentos que nos interessam. Até agosto estamos com um crescimento das receitas de 10% do mercado do Reino Unido”, destaca a secretária de Estado. Apesar de o número de hóspedes deste mercado na hotelaria ter caído 6%, “estamos a conseguir atingir um público que gasta mais quando vem a Portugal e, por outro lado, a conseguir alongar a atividade turística ao longo do ano”.

Ana Mendes Godinho destaca o momento positivo para o turismo nacional que até agosto registou uma subida de 12,2% nas receitas, face a igual período do ano passado. Ou seja, mais 1,2 mil milhões de euros de receitas. “Se pensarmos que Espanha no mesmo período cresceu 1,4 mil milhões de euros de receita, percebemos o que isto significa em termos de dinâmica de receita turística portuguesa. O nosso objetivo é que nos próximos 10 anos (meta ET 2027) duplicar a receita turística”.

A responsável da pasta do Turismo conta fechar o ano com um crescimento de dois dígitos. Na ordem de agosto? “Estamos constantemente a acompanhar a evolução do transporte aéreo, um bom indicador. Em termos de transporte aéreo para o Reino Unido temos no inverno de 2018/2019 uma previsão de crescimento de 24,5% da capacidade aérea. Isto também resulta da reposição aérea que perdemos em 2017, fruto de algumas falências, como a da Monarch, mas temos também algumas companhias, como a Jet2, a reforçar bastante a sua operação para Portugal, nomeadamente, para o Algarve e Madeira”, refere a responsável da pasta do Turismo. “As minhas previsões é que consigamos fechar o ano com um crescimento de dois dígitos. É o meu objetivo.”

O ano passado, o turismo gerou receitas de 15 mil milhões de euros. “O aeroporto de Lisboa e a capacidade de recebermos mais pessoas é fundamental para Portugal, o que sentimos é que apesar de todos os constrangimentos, a previsão que temos de crescimento de tráfego aéreo para Lisboa, em termos de procura é cerca de 7% para 2019”, diz a secretária de Estado. “É essencial garantirmos rapidamente o aeroporto do Montijo. A previsão para o aeroporto de Montijo estar operacional é 2021.”

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