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Deputado do PSD suspeita que Túnel do Marão abriu sem segurança

(Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)
(Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)

Túnel do Marão abriu sem "estarem integralmente asseguradas" todas as condições de segurança, indicia inquérito ao incêndio de junho.

O deputado do PSD Luís Ramos afirmou hoje que suspeita que o Túnel do Marão abriu em maio de 2016 sem “estarem integralmente asseguradas” todas as condições de segurança, reagindo às conclusões do inquérito ao incêndio de junho.

“E a prova é que, se agora há urgência em rever os planos de atuação no Túnel do Marão, é porque as falhas são graves”, disse à agência Lusa Luís Leite Ramos, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD.

O deputado reagiu às primeiras conclusões conhecidas do inquérito ordenado ao incêndio num autocarro de passageiros, que ocorreu a 11 de junho dentro do Túnel do Marão, inserido na Autoestrada 4 (A4), que liga Amarante a Vila Real.

Na sequência do incidente, o secretário de Estado da Proteção Civil ordenou a realização de um inquérito pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

O documento, a que a agência Lusa teve acesso, aponta algumas lacunas e faz recomendações a nível, por exemplo, da revisão com urgência e até 31 de março dos planos de Emergência e de Intervenção dentro da infraestrutura que possui 5.665 metros.

“Juntando as peças, estou cada vez mais convencido de que não garantiram as condições para o túnel abrir. Faltou formação, faltam meios e falta articulação entre os diversos agentes da proteção civil”, frisou.

E faltou também, destacou, a realização de um simulacro antes da inauguração da infraestrutura rodoviária a 07 de maio de 2016.

“A minha convicção é de que abriram à pressa e não garantiram as condições, por exemplo, o simulacro tinha que ser feito antes da abertura para garantir que os dispositivos estavam a funcionar. Nunca fizeram nenhum teste quer do plano de Emergência Interno, quer do plano de Intervenção, para verificar que as coisas funcionavam devidamente”, sustentou.

Na sua opinião, o incêndio no autocarro “foi a primeira vez que os meios de intervenção, quer afetos ao túnel quer da proteção civil, foram testados”.

O relatório do inquérito, a que Lusa teve acesso, revela um “hiato temporal” de “36 minutos” entre o alerta inicial e o início do combate e aconselha uma revisão dos procedimentos para agilizar a chegada dos meios.

O relatório refere ainda que é preciso “aperfeiçoar os procedimentos previstos em matéria de evacuação” e aponta situações caricatas como o número de telefone do contato da IP estar errado no Plano de Intervenção da infraestrutura rodoviária.

Luís Leite Ramos, que insistentemente tem pedido o acesso ao relatório, lamentou que o Parlamento ainda desconheça o documento que, entretanto, já chegou à comunicação social, e criticou o comportamento do ministro das Infraestruturas, Pedro Marques.

“O que me revolta profundamente nesta história é a forma arrogante, prepotente e irresponsável com que este governo trata as questões de segurança no nosso país e todos aqueles que se atrevem a defender e a exigir a proteção das populações que os elegeram e representam”, salientou.

O deputado concluiu salientando que “o Parlamento e os utilizadores do Túnel do Marão merecem e exigem um pedido de desculpas do ministro Pedro Marques”.

Na quarta-feira, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas garantiu que o Túnel do Marão é uma “infraestrutura segura” e anunciou que até ao final de março serão implementadas as conclusões retiradas após os incidentes de junho e agosto de 2017.

Dois meses depois do incêndio no autocarro, ardeu também um carro ligeiro dentro do túnel. Nos dois casos não se registaram vítimas, contudo, a infraestrutura ficou fechada ao trânsito por diferentes períodos de tempo.

PLI

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