Desempregados e subutilizados já são 15,4% da população

Taxa de desemprego subiu de forma pronunciada em junho, para 7%, revela o INE. Pandemia já destruiu 180,7 mil postos de trabalho.

A taxa de subutilização do trabalho, o melhor indicador para medir os impactos da pandemia no mercado laboral, disparou para 14,6% da população em maio e agravou-se ainda mais em junho, estando nessa situação 820 mil pessoas, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira.

A taxa de desemprego (dados provisórios) subiu de forma pronunciada em junho, para 7% da população ativa, estando quase nas 351 mil pessoas desempregadas.

E o emprego está sob forte drenagem. Está a cair a um ritmo de quase 4% todos os meses. Desde o começo da pandemia, desapareceram da economia quase 181 mil postos de trabalho.

Segundo o INE, "a subutilização do trabalho é um indicador que inclui a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego".

No fundo, este indicador é o desemprego em sentido lato pois agrega desempregados e todos as outras pessoas que estão nas margens do mercado de trabalho.

Face a junho de 2019, o número de subutilizados disparou mais de 17%, ou seja, há mais 121 mil pessoas nesta situação marginal e precária.

"Dadas as restrições à mobilidade associadas à pandemia, a análise da evolução deste indicador, em complemento à taxa de desemprego oficial (definição OIT), é particularmente relevante para caracterizar a evolução do mercado de trabalho", acrescenta o INE.

O instituto explica que "um dos impactos da pandemia covid-19 nos resultados do Inquérito ao Emprego prende-se com a classificação das pessoas segundo a condição perante o trabalho" e que "de facto, pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efetivamente perderam o seu emprego devido à pandemia podem agora ser classificadas como inativas, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas, razões pelas quais não fizeram uma procura ativa de emprego (condição essencial para a sua classificação enquanto desempregadas".

Além disso, "também a não disponibilidade para começar a trabalhar na semana de referência ou nos 15 dias seguintes, caso tivessem encontrado um emprego, por terem de cuidar de filhos ou dependentes ou por terem adoecido em consequência da pandemia, leva à inclusão na população inativa".

Agora, com o desconfinamento e com o aumento da mobilidade de algumas pessoas, começa a ser evidente a real dimensão do desemprego (definição oficial).

Muitas empresas fecharam nos últimos meses, muitas ponderam se voltam a abrir ou não e muitos trabalhadores terão perdido efetivamente o emprego desde março e agora, quando procuram trabalho deparam-se com pouca ou nenhuma oferta.

Um dos casos mais graves por causa do número de pessoas envolvidas antes da pandemia é o setor do turismo e das atividades relacionadas, que basicamente interrompeu a sua atividade e que vive agora uma retoma muito fraca.

Desemprego emerge e destruição de emprego de quase 4%

Como referido, à medida que as pessoas foram tendo mais mobilidade e começaram a procurar emprego, eis que a dura realidade emerge: procuraram ativamente trabalho e não encontraram.

De acordo com o INE, "em junho de 2020, a população desempregada – cuja estimativa provisória foi de 350,9 mil pessoas – registou um aumento de 21,2% (61,3 mil) em relação ao mês anterior" e subiu 3% (mais 10 mil casos) face a junho de 2019.

A taxa de desemprego ainda deve subir muito mais este ano. Por exemplo, no orçamento suplementar, o Governo prevê uma média anual de 9,6%. A OCDE diz 11,6% e o Banco de Portugal projeta 10,1% no cenário menos adverso.

O INE refere ainda que a taxa de desemprego dos jovens disparou para 25,6% da população ativa com menos de 25 anos. Ou seja, estão sem trabalho mais de 81 mil jovens, revela o instituto a título provisório.

O emprego também se está a esvair rapidamente. Depois de ter tombado 3,8% em maio (face a igual mês do ano passado), a população dita empregada voltou a cair 3,6% em junho. A estimativa provisória do INE diz que o País terá agora cerca de 4,7 milhões de pessoas com trabalho e que a taxa de emprego baixou para 59,9% da população ativa.

Face a fevereiro (isto é, desde o começo da pandemia), Portugal perdeu 180,7 mil empregos, mostra o INE.

(atualizado 14h45)

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