Despedidos aumentam mais de 62% durante este ano

A três meses do fim do ano, o número de trabalhadores alvo de
despedimento colectivo já havia ultrapassado o total de 2010 em 360.
Até Setembro foram despedidas 3822 pessoas de 412 empresas,
praticamente o dobro das sociedades envolvidas o ano passado.

Os dados são da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do
Trabalho e atestam o agravar da situação económica do país e das
empresas. Comparando os números relativos igualmente ao terceiro
trimestre de 2010, o aumento de despedimentos colectivos concluídos
levou a uma diferença de mais 1469 pessoas no desemprego, ou seja,
num agravamento superior a 62%. Até Setembro de 2010 haviam sido
despedidas, por esta via, 2353 pessoas.

Em termos de regiões, Lisboa e Vale do Tejo (LVT) é a que tem
mais trabalhadores afectados, num total de 1649, mas em termos de
empresas o Norte regista um número equivalente ao de LVT: 171. A
Norte, o número de trabalhadores envolvidos baixa um pouco, para
1622. As duas regiões em conjunto têm mais de 85% dos trabalhadores
com despedimentos colectivos concluídos em 2011.

No que à dimensão das empresas envolvidas nestes processos diz
respeito, refira-se que foram as médias empresas as que mais
trabalhadores despediram, num total de 1384 pessoas, provenientes de
63 sociedades. Seguem-se as pequenas empresas, que mandaram para o
desemprego 901 trabalhadores, provenientes de 171 unidades.

Significativo ainda é que os dados da DG ERT indicam que, embora
ainda não concluídos, estavam em curso, com vista ao despedimento,
processos que envolviam mais 4110 trabalhadores. Um número superior,
em 1505, ao período homólogo, e em 381 ao total de 2010 (3729).

Para o economista Luís Bento, ouvido pelo Dinheiro Vivo, a “maior
surpresa seria [estes dados] não terem aumentado” . Este
responsável salienta o facto de os processos de despedimento
colectivo terem abrangido quase 40% dos trabalhadores das 412
empresas envolvidas.

E Luís Bento chama a atenção para o facto de o processo de
despedimento colectivo – porque controlado pela Administração do
Trabalho – não ser o “maior contribuinte líquido” para a
geração de desemprego. “Este continua a ser alimentado pelo
encerramento súbito de empresas, pelas rescisões de contratos a
termo e pelos chamados despedimentos selvagens”, lembra o
economista do Trabalho.

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