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Desporto pede mais investimento para atrair turistas

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Atletas, empreendedores e autarcas apelam a um maior investimento na promoção do turismo desportivo nacional.

Todos os anos, Portugal é visitado por 300 mil turistas que chegam com apenas um objetivo: jogar golfe. Correm o país de Norte a Sul, às vezes no próprio dia, e não olham a gastos, deixando cá 120 milhões de euros. Os vastos campos, com preços competitivos, e a que o clima dá uma ajuda, renderam a Portugal o título de melhor país para golfe. Como este outros desportos reclamam a notoriedade de quem já atrai várias nacionalidades a Portugal e contribui para mais e melhores turistas. Falta o investimento, dizem os especialistas, que subiram ao palco da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) para falar sobre ‘Portugal de Alto Rendimento’. O Dinheiro Vivo foi parceiro e moderou esta conversa.

O surf é um dos melhores exemplos de elevado retorno apesar do baixo investimento. No ano passado, em apenas 11 dias, o campeonato mundial de Peniche gerou 14 milhões de euros à economia local e uma taxa de ocupação de quase 100% nos hotéis e restaurantes. Frederico Teixeira ajudou a organizar esse evento e sabe o que falta ao turismo desportivo: promoção. Crente de que Portugal “não vai sair de moda”, o responsável da WTC diz que o desafio é “tabelar por cima e desmistificar a relação do preço e da qualidade” da oferta.

Lisboa , 01/03/2018 - Realiza-se hoje o segundo dia da BTL 2018. Conferência Portugal de alto Rendimento, Jorge Sampaio; João Netto; Gil Belfort; Frederico Teixeira; Herminio Torrão. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Conferência Portugal de alto Rendimento. Da esquerda para a direita: Autarca de Anadia Jorge Sampaio; Maratonista João Netto; COO da Hole19 Gil Belford; Organizador da WTC Frederico Teixeira; Autarca de Montemor-o-Velho Herminio Torrão.
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

A Hole 19, uma app que liga as marcas a 1,2 milhões de golfistas, conhece bem a importância da divulgação. No ano passado, a startup investiu numa parceira com o Turismo de Portugal que, em oito meses, levou a app ao conhecimento de um milhão de golfistas. “O desafio que enfrentamos é mesmo esse, a comunicação para o exterior”, notou Gil Belford, responsável de operações da Hole 19.

Espalhar palavra é o que João Neto mais tem feito. É maratonista “não profissional” e leva a bandeira portuguesa para as provas que realiza. Já a ‘plantou’ em algumas das maiores montanhas do mundo, o que despertou a curiosidade dos ‘adversário’ para virem conhecer Portugal. “O nosso serviço turístico é melhor que muitos países”, considera, reconhecendo, ainda assim que “num país que só pensa no futebol, é difícil ser-se um atleta profissional, quanto mais amador. Nunca consegui vender o meu projeto formalmente, só consegui patrocinadores porque provei que aquilo vendia”.

No centro de alto rendimento de Anadia o problema persiste. Investiram-se 15 milhões de euros em infraestruturas para preparar atletas profissionais, que já atraíram desportistas de 70 nacionalidades. As 13 medalhas olímpicas e 17 paralímpicas lá guardadas comprovam o sucesso, que podia ser maior com mais investimento. “Falta-nos divulgar o nosso produto. Se o fizéssemos em conjunto era muito mais fácil. Portugal tem de competir diariamente com países como a China”, lamenta Jorge Sampaio, vice-presidente da câmara de Anadia.

Em Montemor-o-Velho também se fazem atletas de topo, mas para isso são gastos 300 mil euros anuais só na manutenção do centro de treinos. As medalhas não pagam contas e Emílio Torrão, autarca, pede uma “plataforma para promoção e divulgação dos centros”, algo que ainda não existe porque, lamenta Jorge Sampaio, “não faz parte da estratégia turística”. O golfe e o surf já têm uma.

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