Opinião: Rosália Amorim

Desta vez a culpa não é só do petróleo

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Cautelas e caldos de galinha. Parece ser esta a receita que Bruxelas aplica a Portugal, quando corta o crescimento deste ano em uma décima. As previsões alertam para um ambiente externo mais perigoso e incerto.

Há três meses esperava-se melhor da Lusitânia. Nas previsões intercalares de verão da Comissão Europeia, o crescimento de 2018 de 2,3% (maio) é agora revisto para 2,2%, por causa do ambiente externo mais arriscado e por culpa dos preços do petróleo, que podem subir e complicar a atividade em vários setores. A criação de emprego também deve arrefecer. Lê-se no documento que “as exportações e as importações continuem a expandir-se a um ritmo elevado, mas com um contributo global ligeiramente negativo para o crescimento devido ao ambiente externo menos favorável”. Mais: “O consumo privado continua a beneficiar da melhoria das condições do mercado de trabalho, mas prevê-se que desacelere ligeiramente no segundo semestre de 2018, uma vez que o ritmo de criação de emprego arrefece e, em menor grau, devido ao impacto da subida do preço do petróleo nos rendimentos disponíveis reais.”

A culpa desta vez não é só do crude. Há também preocupações fortes quanto à evolução do comércio internacional, em que paira o receio dos “conflitos graves e prolongados” entre os Estados Unidos e outras grandes economias mundiais.

Estes 2,2% ficam ligeiramente abaixo dos 2,3% calculados pelo Banco de Portugal, pelo FMI e também pelo governo. E, na prática, Portugal só volta a convergir com a zona euro porque a Alemanha e a França começam a sentir as suas economias a ativar os travões.

Numa semana em se discutiu o Estado da Nação, este arrefecimento foi argumento forte para a oposição contestar o governo. Um dos temas que estiveram em destaque no Parlamento ontem foi a gigantesca dívida pública, mas também o estado da saúde em Portugal. À direita ou à esquerda, estes devem ser temas que nos devem indignar a todos. Sobretudo quando a economia arrefece.

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