Jean-Claude Trichet

Dez razões para mexer nos juros

BCE promete utilizar todos os recursos
BCE promete utilizar todos os recursos

O Banco Central Europeu (BCE) deverá
subir quinta-feira a taxa de juro de referência, de 1,25% para 1,50%.
Será a segunda subida no espaço de
três meses, depois de ter deixado a taxa em mínimos históricos
durante quase dois anos. O que está em cima da mesa antes de ser
tomada essa decisão? Que factores são levados em conta por
Jean-Claude Trichet e os restantes governadores da zona euro?

Inflação
– O principal dever do BCE é controlar a evolução da taxa de
inflação. Actualmente a inflação na zona euro está nos 2,7%, empurrada
pelos preços da energia e das matérias-primas agrícolas. O objectivo do
BCE é manta-la sempre abaixo dos 2%.

Evolução
económica – O BCE pode optar por manter as taxas de juro baixas
para incentivar o crédito e o crescimento económico. Foi o que fez
entre os primeiros meses de 2009 e Abril deste ano.

Assimetrias
de crescimento – A Europa cresce a duas velocidades: mais rápido
no centro e mais devagar na periferia. Se em países como a Alemanha a
inflação começa a necessitar de ser controlada, economias em recessão
seriam ajudadas por uma política mais expansionista. O BCE tem, em
geral, ignorado estas diferenças, optando por tomar decisões com base no
sistema no seu todo, o que beneficia as economias do centro.

Mostrar
firmeza – Jean-Claude Trichet está perto de terminar o seu
mandato à frente do BCE e alguns responsáveis alemãs temem que seja
substituído por uma personalidade mais flexível. Estas subidas assinalam
que é altura de ser mais duro.

Independência
– Durante este processo de recuperação da crise da dívida na zona euro, a
independência do BCE foi colocada em causa quando decidiu comprar dívida
soberana dos países em dificuldades no mercado secundário. Subir os
juros pretende mostrar o comprometimento com o controlo da política
monetária.

Falcões e
Pombas – Hawks vs. doves, falcões contra pombas. Assim se define
a divisão ideológica dentro do BCE, entre aqueles que defendem um
controlo mais apertado da inflação (falcões) e os que
favorecem uma política mais expansionista (pombas). Tanto Trichet como
Draghi – provável sucessor do francês – são falcões. O português Carlos
Costa é considerado uma pomba.

Pressão
política – A forma como tem sido conduzida a resolução da crise da dívida não tem agradado ao BCE. Praticamente obrigado a
expor-se à dívida soberana tóxica das economias periféricas e sem ver
cumprida a maior exigência que pedia em torno da governação económica europeia,
Trichet pode ter antecipado num par de meses a subida das taxas de juro,
com o objectivo de pressionar os responsáveis europeus a encontrarem
uma solução mais do seu agrado.

Bancos –
Aumentar a taxa de juro faz com que os empréstimos entre bancos se tornem mais caros, contribuindo para fechar ainda mais o já restrito mercado
interbancário.

Famílias
– Ver ponto anterior. Se o financiamento fica mais caro, os
bancos reflectem este aumento de custos nos seus clientes. Com a larga
maioria dos créditos à habitação em Portugal indexados à Euribor (cuja
referência é a taxa directora do BCE), uma subida dos juros tem um
impacto directo nas prestações mensais pagas pelas famílias

Peer
Pressure – O que estão a fazer os outros bancos centrais? BCE,
Reserva Federal norte-americana, Banco do Japão e o Banco de Inglaterra
acompanham o que cada um decide com atenção, não podendo divergir muito.
Uma taxa de juro mais elevada numa região em relação às outras pode ser uma
desvantagem competitiva importante.

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