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Vai de férias? Siga as dicas para se desligar a 100% e evitar o burnout

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Apesar de rejeitadas as propostas dos vários partidos sobre o direito à desconexão profissional, o tema continua na ordem do dia nas empresas.

Por esta altura já tratou de aproveitar as melhores promoções para reservar as suas férias ao melhor preço, teve cuidado em definir um orçamento realista e não estourar as poupanças da família no descanso anual, só falta mesmo fazer as malas e partir de viagem. Mas nada disto terá valido a pena se na bagagem para férias levar consigo o computador e o telemóvel do trabalho, com acesso ao e-mail.

Com as férias de verão à porta, a consultora Mercer deixa algumas dicas para os colaboradores das empresas, e principalmente os seus líderes, conseguirem desligar a 100% nas férias e assim evitar o cansaço psicológico e o burnout. Este é “um tema omnipresente nas organizações, mas muitas vezes não há coragem para falar sobre ele”, diz Marco Gomes, responsável da Mercer.

Para começar, é importante garantir que tudo está programado no escritório de forma a conseguirmos descansar realmente no tempo que estamos fora: invista na passagem das pastas e contacte os clientes para avisar quem podem contactar na sua ausência. Já de férias, cujo período mínimo devem ser duas semanas, o melhor mesmo é cortar mesmo todo e qualquer contacto com o trabalho e investir no tempo em família.

Se for impossível, defina apenas uma hora ao final do dia para verificar os e-mails e responder a telefonemas urgentes. Assim conseguirá calibrar energias e regressar em força ao trabalho. “Se não depender de nós, as empresas vão continuar a pôr o pé no acelerador. Temos de ser nós a desligar”, recomenda o especialista.

Este ano, a proposta do PS previa o “direito a desligar”, ou seja, que “a utilização de ferramenta digital no âmbito da relação laboral não pode impedir o direito ao descanso do trabalhador, salvo com fundamento em exigências imperiosas do funcionamento da empresa”, foi chumbado no Parlamento

Apesar de rejeitadas as propostas dos vários partidos sobre o direito à desconexão profissional, o tema continua na ordem do dia nas empresas.

Na visão de Marco Gomes, “há cada vez mais consciência dos perigos do burnout no topo das organizações, e uma sensibilização para este tema, além da preocupação crescente nos executivos de topo com o cansaço psicológico extremo”. Prova disso é a inclusão deste tema no relatório Mercer Global Talent trends 2019, que se foca no burnout como uma das piores tendências a combater no mundo empresarial.

Daí as férias de verão que se aproximam nos meses de julho, agosto e setembro assumirem tanta importância como efeito mitigador dessa tendência. “Devemos ter a capacidade de fazer uma paragem, porque com a intensidade com que se vive e trabalha, enquanto seres humanos não conseguimos encaixar todas as mudanças e transformações. Precisamos de pausas e de momentos em que conseguimos desligar daquilo que é o nosso dia-a-dia”, frisa o responsável da Mercer em declarações ao Dinheiro Vivo.

A responsabilidade de procurar a desconexão e o descanso é não só dos colaboradores mas também dos seus líderes e das suas organizações. “As empresas devem ter a preocupação de ajudar os trabalhadores e sensibilizá-los que isto é mesmo importante. Têm de ajudar a repensar a forma como encaram as férias. Se nós não desligarmos, vamos ver as férias invadidas pela intensidade do mundo empresarial”, alerta a consultora. Além disso, nas passagem de pastas pré-férias, “as empresas têm de garantir um backup às pessoas, porque o negócio continua mas as pessoas têm direito a descansar e desligar”.

Outra forma que as empresas têm para ajudar as suas equipas a ir de férias passa por dar feedback sobre o trabalho desenvolvido no primeiro semestre do ano, através das chamadas ‘mid year reviews’, e definir objetivos pós-férias, “Os líderes devem olhar para equipas, fazer balanço e ajudar as pessoas a olhar para a frente, com vista a um clima saudável no regresso”, refere ainda Marco Gomes, concluindo: “Tal como fazemos resoluções de Ano Novo, devem existir resolução de meio do ano. As férias são fundamentais para olharmos para trás e planearmos o que aí vem. Fazer um balanço do que correu bem e menos bem. Onde estivemos a investir a nossa energia e como podemos capitalizá-la nos restantes meses do ano”.

No regresso, não se abandone à depressão pós-férias: faça resoluções para os últimos meses do ano, veja o que já conseguiu concretizar e quais os seus objetivos para o futuro próximo. “Com as férias fechamos um ciclo. Em setembro faça a rentrée e planeie os meses até ao final do ano”, aconselha a Mercer.

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