Ocean Talks

Ocean Talks. Veículo autónomo português prepara-se para explorar fundo do mar

Cascais , 07/06/2019 - Realizou-se esta manhã no Museu do Mar Rei D. Carlos em Cascais a Ocean Talks 2019. 
Joana Garoupa; Jorge Freire; Rui Rosa; 
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Cascais , 07/06/2019 - Realizou-se esta manhã no Museu do Mar Rei D. Carlos em Cascais a Ocean Talks 2019. Joana Garoupa; Jorge Freire; Rui Rosa; ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Ocean Talks realizou-se esta sexta-feira no Museu do Mar, em Cascais, e juntou especialistas que falaram dos desafios que os oceanos enfrentam.

No dia em que se comemora 165 anos desde que Cascais passou a ser Vila, foi nesta zona com 35 quilómetros de costa que tanto define a zona que se conversou sobre mar. A segunda edição das Ocean Talks, que decorreu esta manhã no Museu do Mar, contou com especialistas que deram visões diferentes sobre uma finalidade comum: a necessidade de cuidar, conhecer e respeitar melhor os oceanos.

A vereador da Câmara Municipal de Cascais, Joana Balsemão, começou por dar o exemplo do que é feito na vila, referindo como a política do mar é um equilíbrio delicado, assegurando que o presidente, Carlos Carreiras, dá importância ao ambiente no momento de tomar decisões. Através de ações como indicações nas sarjetas que “o mar começa aqui”, ou as de limpeza do mar, com a recolha de lixo, trabalha-se na sensibilização da população. Além disso, existem novas de medidas para que os eventos que sejam obrigados a ter uma postura sustentável (redução ou mesmo eliminação do plástico, por exemplo) e há ainda a Área Marinha Protegida das Avencas, como exemplo do que é feito no concelho.

Numa perspetiva mais global, Rui Rosa, professor da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa, alertou para o aumento de ameaças para as espécies marítimas, com um milhão a enfrentar uma possível extinção. Degradação do habitat, pesca excessiva, a poluição e as alterações climáticas estão a ter um impacto negativo nos oceanos e, consequentemente, na vida marinha. Uma área que tem estudado está relacionada com a redução de oxigénio nos oceanos. A emissão de CO2 é a causa principal e está a verificar-se uma mudança que pode prejudicar ainda mais os animais.

O professor explicou como a falta de oxigénio, a hipóxia, está a aumentar na vertical, ou seja, cada vez mais animais que têm de subir, para procurar uma zona com maior concentração de oxigénio. São poucos os animais que sobrevivem na chamada zona morta, mas com cada vez mais a viver numa área mais próxima da superfície, também os deixa em maior risco de serem apanhados por anzóis, sendo os tubarões um dos exemplos disso mesmo.

Nuno Lourenço considera que “a população portuguesa não tem perceção dos oceanos”, com o pensamento a estar mais centrado na costa, onde o mar rebenta. O gestor de Desenvolvimento do CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto) realçou como há um conjunto de plataformas e sensores que estudam os oceanos. Esta recolha de dados assume grande importância na forma de estudar um ambiente complexo e assim tentar encontrar medidas que o ajudem a salvaguardar.

Veículo autónomo made in Portugal

O CEiiA está a ajudar a desenvolver métodos que possam contribuir para a recolha de dados e assim um estudo mais aprimorado. A ajudar está um veículo autónomo que está em elaboração e tem sido alvo de testes no fundo do mar, mas já muito tem sido feito para aproveitar a tecnologia para conhecer o fundo do oceano (e não só), pois continua-se a conhecer apenas uma pequena parte. “O oceano não é só a praia, não é só a superfície”, salientou.

O CEiiA liderou o consórcio que concebeu o Medusa Deep Sea, um projeto que inclui um robô submarino que permite ir até uma profundidade de três mil metros e inclui já um conjunto alargado de sistemas de visão e sensores acústicos. O objetivo? Fazer recolha de dados da geologia, biologia, química e de outros parâmetros no fundo oceânico e cumprir missões científicas, que podem ir do mapeamento do fundo marinho a estudos oceanográficos, geofísicos ou até de arqueologia, em estudos sobre naufrágios históricos.

E numa perspetiva “fora da caixa”, como a própria assumiu, Patrícia Furtado de Mendonça veio do Rio de Janeiro para sensibilizar quem assistiu ao Ocean Talks a cuidar melhor dos oceanos, mas através de uma relação mais próxima com a água. “Sem água não há vida, sem azul não há verde, o oceano é o início”, disse. A antiga atriz falou de como descobriu a sua coneção com os oceanos e foi precisamente em Portugal, num trabalho de publicidade da Madeira, que incluía fazer mergulho. Em Itália, para onde foi estudar, fez dança aquática em apneia, sendo esta uma forma, segundo Patrícia Furtado de Mendonça, de “perceber como o oceano poderia falar através de nós”.

Através da sua empresa Acqua Mater e de vários projetos, Patrícia Furtado de Mendonça tenta que adultos e crianças fiquem mais sensibilizados para as causas ambientais, ao ligarem-se mais aos oceanos, numa experiência que vá muito além de uma ida à praia. Alertou para o problema do plástico, do micro-plástico, da poluição invisível e como esta pode afetar os animais (os sonares, por exemplo). “As nossas origens são oceânicas. O mar é a grande mãe”, terminou.

Além da Ocean Talks, fórum promovido pela Fundação Galp, realiza-se esta tarde, a partir das 15:00 a maratona tecnológica Innovathon, concebida pelo CEiiA e pelo United Nations Global Compact, com a Galp como parceira. O palco será a praia de Carcavelos, que receberá várias equipas mistas de alunos do Ensino Superior em torno da resposta a desafios relacionados com a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a partir dos quais se desenvolvem novos produtos e serviços para a sustentabilidade do planeta.

Os cerca de 120 alunos serão desafiados durante 24 horas a apresentar novas ideias para o desenvolvimento de soluções viáveis do ponto de vista técnico e operacional para assegurar a qualidade de vida, a produtividade e a melhoria da sustentabilidade nos oceanos. A maratona irá realizar-se noutros países e serão apurados os finalistas para o desafio final que irá decorrer na conferência das Nações Unidas sobre os oceanos, que se realizará em Portugal no próximo ano.

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