Diminuição das importações fecha transportadoras rodoviárias

Camiões parados

A guerra de preços no setor dos transportes rodoviários de mercadorias começa a fazer vítimas. Nos últimos dois anos, desapareceram em Portugal mais de 1500 empresas, que não conseguiram sobreviver ao aumento generalizados dos custos, designadamente com gasóleo e portagens, e à incapacidade de os fazer repercutir no preço final.

A diminuição das importações também não ajuda e obriga a uma gestão de frota cada vez mais delicada. Um camião nunca regressa vazio. Mas, para isso, vem ‘às cambalhotas’ de país em país, na chamada cabotagem ou triangulações, até chegar a Portugal.

Osvaldo José, administrador da Tracar, explica: “A quebra nas importações tem um impacto bastante negativo ao nível das rotações dos veículos, que agora são mais demoradas entre a saída e o retorno”, com os camiões a terem de “fazer mais quilómetros em vazio do que o habitual para apanhar uma carga”.

Já Paulo Sequeira, diretor da Giraud, refere que, com a retração da economia, “diminuem os transportes, aumentam os riscos de cobrança e também o s casos de concorrência desleal”.

O “desespero de algumas empresas” torna-se patente num crescendo de dumping. Não admira, por isso, que 2012 tenha sido um ano “muito difícil” para o setor.

Osvaldo José reconhece-o e destaca a crise internacional, o programa de ajustamento português, a inexistência de crédito, as dificuldades dos clientes e a pressão dos fornecedores para encurtar prazos de recebimentos, associados às portagens e ao aumento dos preços do gasóleo para considerar que se criaram as condições para uma “quase tempestade perfeita”.

Para quem contrata os serviços, os preços estão mais caros. O que não significa que a rentabilidade das empresas transportadoras tenha aumentado. Bem pelo contrário.

A Tracar assegura que os preços se mantêm “em níveis idênticos” aos do ano passado, com alterações, “apenas em alguns contratos” que têm clausulas de correção por efeito do aumento dos combustível. E as alterações “têm sido pequenas”, garante.

Já a Giraud assegura que o “ajustamento” nos preços na exportação “não motivou, por si mesmo, uma subida das rentabilidades das empresas, pois ocorreu o inverso na importação”, com os preços a caírem, “muitas vezes, para valores notoriamente abaixo do preço de custo”.

O presidente da Associação Nacional de Transportadoras Portuguesas afiança que o aumento das tarifas “não cobrem” o acréscimo de custos. Só o gasóleo, diz, “aumentou cerca de 20% nos últimos dois anos”, o que deveria ter obrigado a uma revisão de preços da ordem dos 10%, já que o combustível pesa cerca de 50% nos custos das empresas. E, regra geral, o aumento de preços ficou-se pelos 5%, “e , em alguns casos, nem isso”.

A falta de capital é, segundo Artur Mota, a principal dificuldade das empresas e a razão do seu desaparecimento. “Muitas empresas estão desajustadas face à realidade dos custos, porque não conseguem fazer passar para o cliente os agravamentos com que se defrontam”, diz. O problema, reconhece, “é que, com 8000 empresas no setor, há muita oferta e muito espalhada, por isso, consegue-se sempre alguém que faça mais barato”. A falta de regulamentação, acredita, “leva a que as empresas se vão suicidando coletivamente”.

O enfraquecimento da produção industrial e a forte deterioração da atividade da construção afetaram negativamente o sector de transporte rodoviário de mercadorias em 2012, estimando-se uma descida da faturação no conjunto do mercado ibérico de 3,5%.

O volume de negócios em Portugal reduziu-se 7%, para um total de 2650 milhões de euros. Em Espanha a quebra situou-se nos 2,8%, num total de 13 900 milhões de euros de faturação.

Estas são algumas das conclusões do Estudo Sectores Portugal, publicado pela DBK, primeira empresa espanhola especializada na realização de estudos de análise sectorial e de concorrência, participada da Informa D&B, empresa do Grupo CESCE.

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