Investimento

Dinheiro do plano Juncker para Portugal duplica em apenas um ano

Jean-Claude Juncker. Fotografia: REUTERS / François Lenoir
Jean-Claude Juncker. Fotografia: REUTERS / François Lenoir

Europa empresta e depois privados vão atrás. Investimento apoiado pelo plano Juncker triplica num ano, para 3,9 mil milhões de euros.

Este ano, o investimento total na economia portuguesa poderá aumentar perto de 9%, diz o Banco de Portugal. É quase o dobro do que disse o governo em abril (4,8%). Não se via nada assim desde 1998, ano de ouro para a economia. Mas tal como no passado, os fundos europeus (quadro comunitário e plano Juncker) têm na recuperação um papel decisivo. Desta feita, ainda mais, já que os bancos não estão a vender crédito como antigamente. Estão mais prudentes e a procura também é menor.

De acordo com dados obtidos pelo Dinheiro Vivo, o dinheiro atribuído pelo Plano Juncker teve um aumento de 133% em apenas um ano (até maio). Por esta via, Portugal já contratualizou 1,2 mil milhões de euros que vão servir de base a projetos inovadores e de pequenas e médias empresas (PME).

Com estas verbas, Jyrki Katainen, o finlandês que ocupa o cargo de vice-presidente da Comissão Europeia para o Emprego e o Crescimento, “espera desencadear um total de mais de 3,9 mil milhões de euros em investimentos adicionais em Portugal”. É mais do triplo face ao que se esperava há um ano.

A ver ao vivo a aplicação dos fundos

Katainen esteve esta semana em Portugal para confirmar no terreno o que está a ser feito com os fundos atribuídos ao país, seja via Plano Juncker (mais vocacionado para infraestruturas e crédito a PME), seja via Portugal 2020, o quadro comunitário de apoio plurianual, avaliado em 25 mil milhões de euros.

O dirigente europeu, que tem a tutela dos apoios esteve em Lisboa a arredores. Teve reuniões com ministros (José Azeredo Lopes, da Defesa, e Mário Centeno, das Finanças), visitou duas empresas exemplo: uma apoiada pelo Portugal 2020, a Vision-Box, em Carnaxide; outra pelo próprio Plano Juncker, a Inspama, um centro de inspeção automóvel, em Alfragide.

A principal ideia: os fundos estão a fluir bem em Portugal, que hoje já é “o quarto maior utilizador da Europa do FEIE – Fundo para os Investimentos Estratégicos”, o braço financeiro do Plano Juncker, que conta com o apoio do Banco Europeu de Investimento. Mas o dirigente europeu deixou claro que “há ainda grandes oportunidades para aproveitar”. Mais dinheiro disponível, basicamente.

O plano está a financiar projetos de grande dimensão como o programa de regeneração urbana de Lisboa (investimento total previsto de 523 milhões de euros). Lisboa aproveita esta oportunidade pois, sendo uma zona considerada como “mais desenvolvida”, perdeu elegibilidades no Portugal 2020. Também ajudou a financiar a construção do novo campus de economia e gestão, da Universidade Nova, em Carcavelos.

Os bancos também estão a receber largas quantias do fundo, que depois devem passar às PME através de crédito à inovação, start ups, etc. E a lista de novos projetos Juncker continua a crescer. Os que não são aprovados, mas têm mérito, podem ir para um portal, um género de montra global, que os promove junto de eventuais investidores.

Dois novos projetos Juncker

Este mês foi aprovado um contrato com a Sonorgás – Sociedade de Gás do Norte, com vista a “expandir as redes de distribuição de gás natural na região Norte de Portugal”, uma obra deve arrancar no terceiro trimestre deste ano e terminar no final de 2019”, diz fonte do BEI. A região Norte ainda é considerada “menos desenvolvida”. O apoio Juncker é um empréstimo de 29 milhões de euros. Depois de concluída, a rede representará um investimento que é o dobro (58 milhões).

Outro dos projetos novos é nas áreas médicas. É um investimento avaliado em 40 milhões de euros, apoiado em 20 milhões de euros pelo plano. Visa desenvolver “soluções de alimentação parenteral”, isto é, formas de nutrição que não passem pela via gastro-intestinal.

Também esta semana, o Banco de Portugal reconheceu que “a aceleração da atividade em 2017 deverá ainda assentar numa recuperação da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), refletindo a manutenção do forte dinamismo da FBCF empresarial e uma marcada recuperação do investimento público e do investimento residencial. Em 2018-2019 projeta-se a continuação de um crescimento robusto da FBCF, em particular da componente empresarial, num quadro de manutenção de condições monetárias e financeiras estáveis e de perspetivas favoráveis para a evolução da procura global.”

No investimento público, “mantém-se a hipótese de forte aceleração desta componente em 2017 (mesmo excluindo os efeitos extraordinários decorrentes da venda de material militar)”. Os fundos europeus são considerados dinheiro público.

Os economistas do banco central recordam que a crise do investimento (2009-2013) teve “impacto sobre a adoção de novas tecnologias e novos processos produtivos”, e “pode ter condicionado os ganhos de eficiência de uma forma relativamente generalizada a nível sectorial”. “Em comparações internacionais, Portugal surge com um nível de capital por trabalhador muito inferior ao da média na área do euro”, diz o Banco.

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