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Dinheiro é o meio de pagamento mais usado na restauração

Fotografia:  Global Imagens
Fotografia: Global Imagens

Custos elevados nas operações com cartão ajudam a explicar a opção

Mais de 70% dos pagamentos nos setores da restauração e bebidas são feitos em dinheiro, percentagem que sobe para os 89% na região Norte. Na área Centro e Lisboa fica-se pelos 55%. Os “custos elevados e desproporcionais” cobrados aos operadores pelo aluguer dos terminais de pagamento é a explicação avançada pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), bem como o preço médio das refeições, que se situam, maioritariamente, entre os cinco e os dez euros. “Há muitos restaurantes e snack-bares que não permitem o pagamento por cartão abaixo de determinados montantes”, diz Pedro Carvalho, responsável do gabinete de estudos da AHRESP.

Os dados são de um estudo conjunto da Nielsen e da AHRESP que pretende melhor conhecer o segmento de restauração e bebidas, constituído por mais de 75 mil estabelecimentos que asseguram mais de 300 mil empregos e um volume de negócios anual de 7,7 mil milhões de euros.

Um setor que “lidera os principais indicadores do turismo”, diz Pedro Carvalho, mas sobre o qual “há pouca informação”. O estudo agora realizado, com um inquérito a mais de dois mil estabelecimentos em todo o país, dos espaços de fast food à hotelaria, passando por cafés, snack-bares e restaurantes, passará a ser anual e pretende identificar coisas tão distintas como quantas refeições são servidas por dia ou que tipo de oferta há no país. Quanto custam e quem as compra.

Sem surpresa, os dados mostram que, nos dias úteis, mais de 60% das refeições servidas ao almoço são a portugueses. Ao fim de semana, jantar fora “começa a ter mais alguma atratividade que nos últimos anos de crise”, refere Pedro Carvalho. Quanto ao tipo de oferta, a AHRESP destaca o facto de 5% dos estabelecimentos disponibilizarem já pratos vegetarianos ou vegan, um peso que a Sul do país sobe para 11%.

Já no que aos preços diz respeito, mais de metade dos almoços custam entre 5 e 10 euros, sendo que, ao jantar, essa percentagem desce para 47%. “Ao fim de semana, tudo se altera e os preços aumentam substancialmente, passando a fasquia dos 10 euros”, destaca a associação. Mesmo assim, frisa Pedro Carvalho, “estes dados mostram que o sector consegue ter um serviço de excelência a preços bem abaixo da maioria dos destinos concorrentes”.

Sobre os meios de pagamento e o predomínio do uso de dinheiro vivo para a maioria das transações, este responsável lembra que 95% dos estabelecimentos de restauração são micro-empresas, “sem capacidade para suportar taxas que, no caso dos cartões de débito, se situam nos 0,8 ou 0,9% da despesas e nos cartões de crédito nunca são menores do que 1,5%”, a que se somam os custos com o aluguer dos terminais e as próprias comunicações. “Estes dados comprovam aquela que tem sido a nossa principal preocupação contra as condições abusivas das instituições bancárias”, diz.

Por fim, e quanto à origem dos clientes, os dados não trazem surpresas: a maioria dos consumidores é de origem europeia, embora se assista a uma “ligeira subida” na percentagem de asiáticos nos dias úteis.

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