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Dívida milionária leva grupo HNA a sair da TAP

Fotografia: Regis Duvignau/Reuters
Fotografia: Regis Duvignau/Reuters

Grupo HNA vendeu os 9% que detinha na companhia por 49 milhões. Último ano foi marcado por venda de ativos em massa.

São o maior acionista do Deutcshe Bank, quiseram comprar a Forbes e chegaram a ter 25% dos hotéis Hilton. Mas o grupo chinês HNA atravessa uma zona de muita turbulência. Com uma dívida que ultrapassa os 77 mil milhões de euros, o grupo tem vindo a vender ativos em larga escala para se manter à tona. Ontem, fez descolar a participação de 9% que detinha na TAP por 49 milhões de euros.

O anúncio foi comunicado à bolsa de Xangai. Mais de metade das ações foram compradas pela Global Aviation Ventures, um fundo norte-americano de capital de risco ligado à aviação, que desembolsou pouco mais de 26 milhões de euros. Já a companhia brasileira Azul pagou 22 milhões pelo restante da participação. A Azul, liderada por David Neeleman, é detentora de 40% da Atlantic Gateway, que por sua vez detém 45% da TAP.

A decisão da HNA não apanhou ninguém de surpresa. Já em fevereiro o Jornal de Negócios noticiava o reforço da posição dos chineses na Atlantic Gateway de 11,5% para 20%, sublinhando que a saída estaria, porém, para breve.

Ontem, questionado sobre a opção dos chineses, o chairman da TAP confessou isso mesmo. “Era uma questão de tempo. São conhecidas as dificuldades”, admitiu Miguel Frasquilho, citado pela Lusa, durante um encontro do International Club of Portugal.

Frasquilho confessou que a empresa recebeu a notícia “com pena”, pois a HNA era a porta da TAP para o Oriente.

Já o governo desvalorizou a saída dos acionistas chineses. O Ministério das Infraestruturas e da Habitação destacou que a mudança acionista da TAP “não afeta a posição estratégica do Estado português, que se mantém inalterada”.

Segundo uma nota enviada ao Dinheiro Vivo pelo ministério de Pedro Nuno Santos, o Executivo considera que “a substituição de um acionista minoritário por um novo acionista norte-americano e por um reforço da posição de um dos atuais acionistas não é um fator negativo para a empresa. Pelo contrário, é um sinal de confiança dos adquirentes no futuro da empresa”.

Nos últimos meses têm sido ininterruptas as notícias sobre os problemas financeiros dos agora ex-acionistas da TAP. Entre 2015 e 2017, o grupo acumulou mais de 35 mil milhões de euros em participações financeiras em empresas fora da China. Chegou a deter 9,9% do Deutsche Bank, o seu ativo mais sonante. Mas uma dívida galopante e os avisos das autoridades chinesas em relação a investimentos “irracionais” colocaram o grupo em dificuldades, entretanto agravadas pelo escrutínio apertado dos reguladores internacionais.

No Deutsche Bank, a participação do HNA tem vindo a ser gradualmente reduzida. A última venda de ações aconteceu em janeiro, por 363 milhões de euros. Apesar de deter agora 6,3% do banco alemão, continua a ser o seu principal acionista. Segundo a Bloomberg, o grupo estará também a tentar vender uma empresa suíça de manutenção de aeronaves por quase mil milhões de euros. Chegou a constar no ranking das 500 maiores empresas do mundo, segundo a Forbes. Que também tentou comprar, sem sucesso.

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