Opinião

Dívida pública continua a aumentar

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Apesar de ainda não ser de todo preocupante, o valor nominal da dívida pública de Portugal atingiu um máximo histórico no passado mês de maio: 250,3 mil milhões de euros. Claro que em termos líquidos de depósitos o valor é menor, mas depósitos sempre existiram. Em média representa cerca de 25 mil euros por cada português. Brevemente, e atendendo às amortizações previstas, este valor irá baixar, mas, mesmo assim, não deixa de ser um valor astronómico para a realidade do país.

Por agora os acessos aos mercados não se encontram em perigo e as perspetivas das agências de notação de risco são favoráveis, mas este valor de dívida representa atualmente 126,4% do PIB.
Em 2011, aquando da assinatura do Programa de Assistência Económica e Financeira, a dívida pública representava cerca de 96% do PIB e em termos nominais 158,7 mil milhões de euros (dados de 2010).

O que não deixa de ser assinalável é que em menos de oito anos o endividamento aumentou cerca de 90 mil milhões de euros, facto que deveria levar a que todos refletíssemos neste assunto e não apenas alguns.

Pelas projeções do governo, encerraremos o ano com uma dívida de 122,2% do PIB, e precisaremos de mais sete anos para atingir o valor de 100%. Depois, se tudo continuar a correr bem, talvez mais cinco anos (lá para 2030) para nos situarmos nos atuais valores médios da dívida pública da zona euro, e esta também tem tido uma tendência de descida, o que pode significar que talvez só em 2035 cheguemos ao valor médio.

Claro que 15 ou 20 anos em economia é muito tempo e tudo isto pode ser alterado, mas, para obtermos a sustentabilidade da dívida, temos de continuar a crescer em termos económicos e o valor da dívida nominal parar de aumentar. Para isto acontecer muito contribuirá a não cedência do governo a pressões desta e daquela classe laboral, por este e aquele partido que parece que já se esqueceram que os sacrifícios foram feitos por todos e não só por alguns. Não deitemos tudo a perder por causa de querelas políticas e teimosias de alguns.

Economista e docente no Ensino Superior

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