Draghi cala Schaüble: “Grécia continuará a ser membro do euro”

Mario Draghi com os colegas da cimeira europeia
Mario Draghi com os colegas da cimeira europeia

A Alemanha, através do seu ministro das Finanças, continua a insistir na ideia da saída temporária da Grécia da zona euro. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) tentou hoje por um ponto final nessa conversa: "a Grécia é e continuará a ser um membro da zona euro". Draghi defendeu ainda um "alívio da dívida", mas dentro das regras europeias.

Nesta questão da sustentabilidade da dívida, Mario Draghi faz eco das propostas recentes da Comissão, por exemplo. E da própria cimeira do euro. Haircut é que não terá pernas para andar, como está patente no comunicado da cimeira de dia 12 de julho. E ao contrário do que deseja o FMI.

Depois a questão da integralidade do euro. Hoje de manhã, em entrevista à rádio alemã Deutschlandfunk, Wolfgang Schäuble tornou a insinuar que a Grécia não deve conseguir sobreviver na moeda única com uma dívida gigantesca, mas como a Alemanha (e as regras europeias) impedem perdões de dívida (cancelamentos), o melhor seria o país sair temporariamente da área da moeda única e reestruturar a sua dívida dessa forma, insistiu o ministro germânico.

Poucas horas volvidas, em Frankfurt, Mario Draghi, com quem Schäuble terá tido discussões desagradáveis ao longo das últimas semanas e sucessivas reuniões do Eurogrupo, lembrou ao governante que existe um Tratado e que à luz dele “temos um mandato para cumprir”. A integralidade e a estabilidade da zona euro devem ser preservadas, é essa a obrigação.

Há dias, Schäuble chegou a incluir um parágrafo com essa opção de saída temporária do euro numa das versões do texto das bases para um futuro acordo/terceiro resgate, mas esse acabou por cair na versão final por ter sido considerado um rombo gigantesco no princípio da irreversibilidade da zona euro.

Alívio de dívida à europeia

Claro que, reconheceu o banqueiro italiano, há um problema grave com a sustentabilidade da dívida grega. Nesse sentido, “é necessário um alívio de dívida”, uma ideia que, disse, nem sequer é controversa dentro da Europa. Deve é ser concretizado de acordo com as regras vigentes.

Ora, a posição comum dos líderes do euro (cimeira do euro), na qual Draghi tem assento, já admite “medidas adicionais” como “períodos de graça e de pagamento mais longos”, mas nunca cancelamentos da dívida (haircuts) como é preferência do FMI. “Não poderão ser feitos cortes nominais na dívida”, vinca bem a cúpula da zona euro.

O mesmo que dizer que cortes no capital em dívida estão mesmo fora de questão. No entanto, é possível aliviar o esforço de cumprimento, alongando prazos de reembolsos e adiando ao máximo o início das amortizações, dando períodos de carência maiores para pagar juros, por exemplo. Ou até aplicar taxas de juro mais baixas no novo empréstimo.

Anteontem, a Comissão Europeia juntou-se ao coro europeu. Disse inclusive que a dívida grega só é sustentável com “uma alteração de perfil muito substancial”, sugerindo “maturidades mais longas para os empréstimos existentes e novos”, “moratória nos juros” e “financiamento a taxas de juro AAA”.

Alívio de dívida à FMI

A missão do FMI na Grécia advoga que a dívida grega é “altamente insustentável”. Embora admita como opção um alívio como querem os europeus, o Fundo diz que a situação é tão grave que isso só adia a resolução do problema. Por isso era melhor enfrentar o monstro o quanto antes e cortar no capital. Mas só na parte da dívida à Europa. FMI e credores privados devem ficar fora desta equação, defendeu a missão.

(atualizado às 18h00 com mais informação)

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