BCE

Draghi. Crescimento europeu está a perder alguma força

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

"As informações que temos recebido desde a reunião de março apontam para alguma moderação" no crescimento económico da zona euro, diz líder do BCE.

“Após vários trimestres de crescimento acima do esperado, as informações que temos recebido desde a reunião de março apontam para alguma moderação”, ainda que continuem “consistentes com uma expansão sólida e abrangente da economia da área do euro”, constatou esta quinta-feira, Mario Draghi. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) está a falar na conferência de imprensa que se seguiu à reunião onde manteve as taxas de juro em mínimos de sempre.

O banqueiro central diz, por exemplo, que alguns indicadores caíram inesperadamente, mas também houve “alguma normalização que era esperada, principalmente devido a fatores temporários, por exemplo, clima frio, greves, a época da Páscoa”.

O banqueiro italiano revelou ainda que todos os membros do Conselho do BCE [todos os governadores, Carlos Costa incluído] informaram sobre a situação dos seus próprios países” e todos eles disseram que as economias “experimentaram alguma moderação no crescimento ou perda de impulso”. Portanto, trata-se de uma situação “bastante transversal entre países e setores”, reparou Draghi.

O presidente do BCE referiu ainda que “a inflação subjacente [inflação expurgando o efeito dos preços da energia e dos alimentos sazonais] permanece moderada e ainda tem que mostrar sinais convincentes de uma tendência sustentada de alta”.

Em resposta a perguntas dos jornalistas, Draghi enumerou uma série de indicadores económicos que caíram (sentimento dos gestores, de produção) e reparou que essas reduções foram “inesperadas”, embora o período precedente tenha sido de forte expansão nesses índices.

Em todo o caso, “a força subjacente da economia da área do euro continua a apoiar a nossa confiança de que a inflação irá convergir para o nosso objetivo de inflação abaixo mas próximo de 2% no médio prazo”, isto é, daqui a um ou dois ou três anos.

Em todo o caso, a inflação continua muito baixa e precisa de ter um comportamento mais “convincente” no sentido de uma subida.

Assim, sendo, “continua a ser necessário um amplo grau de estímulo monetário para que as pressões inflacionistas subjacentes continuem a aumentar”.

EUA, protecionismo e outras ameaças

Há também fenómenos novos, recentes, como a maior hostilidade do governo dos EUA em assuntos de comércio internacional (barreiras no comércio de aço e alumínio que afetam muito a China, por exemplo), que podem estar a prejudicar as perspetivas da economia, dos empresários.

“Os riscos sobre as perspetivas de crescimento da zona euro permanecem globalmente equilibrados, mas os riscos relacionados com fatores globais, incluindo a ameaça de aumento do protecionismo, tornaram-se mais proeminentes”, alertou o presidente do BCE.

E acrescentou que “sabe-se que os recentes acontecimentos [relativos ao protecionismo] têm um efeito profundo e rápido sobre a confiança das empresas e dos exportadores e que, por sua vez, podem afetar as perspetivas de crescimento”.

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