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Draghi elogia governo “em várias frentes”, mas critica malparado

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach

"Não considero que o pagamento antecipado ao FMI seja relevante no que respeita aos limites do programa de quantitative easing."

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, elogiou o trabalho do governo português e do país pelos “progressos significativos alcançados em todas as frentes”, mas deixou dois avisos negativos: o malparado bancário continua a ser um travão ao crescimento, uma “vulnerabilidade”.

E deixou claro que não é pelo facto de o governo estar a pagar mais cedo ao FMI que o BCE vai comprar mais dívida pública portuguesa no âmbito do seu programa de expansão monetária (QE ou quantitative easing).

Numa audição que decorreu, na tarde desta segunda-feira, na comissão de economia e finanças do Parlamento Europeu, Mario Draghi foi questionado pelo eurodeputado Pedro Silva Pereria (PS) sobre os recentes desenvolvimentos económicos em Portugal e sobre a possibilidade de o BCE poder ajudar mais o país nas compras de dívida, uma vez que tem vindo a reduzir de forma dramática as aquisições de Obrigações do Tesouro portuguesas. Mais do que no caso de outros países.

Relativamente aos desenvolvimentos recentes, Draghi concedeu que “de facto, foram alcançados progressos significativos em Portugal, em todas as frentes, e este é o primeiro ponto que temos de ter em consideração”.

Mas não há bela sem senão. Para o presidente do banco central, “o segundo ponto é que, no entanto, continuam presentes vulnerabilidades significativas, especialmente no sector bancário, onde ainda temos um nível elevado de NPL [créditos em incumprimento], como acontece noutros países, especialmente da periferia”.

Assim sendo, continuou Mario Draghi, “é necessário responder a estas vulnerabilidades, é necessário responder, primeiro, por causa da estabilidade do próprio sistema bancário, mas também para explorar totalmente a capacidade dos bancos portugueses em apoiar e financiar a economia real”.

“Os NPL são um peso sobre a capacidade dos bancos em dar crédito às empresas e famílias que dele necessitam”, rematou o banqueiro central.

Pagar mais cedo ao FMI não altera compras do BCE

Outro ponto que ficou assente na audição foi de que o pagamento antecipado do empréstimo ao FMI, que está a ser conseguido com sucessivas idas ao mercado de OT (o governo endivida-se a taxas de juro mais baixas para pagar partes do empréstimo do FMI, que é bastante mais caro), não irá alterar em nada as compras que o BCE faz ou planeia fazer de títulos de dívida pública portuguesa.

“Penso que não. Não considero que o pagamento antecipado ao FMI seja relevante no que respeita aos limites do programa de quantitative easing”, respondeu Draghi, sem mais acrescentar.

Como já escreveu o Dinheiro Vivo, no caso de Portugal, o BCE não tem na sua posse unicamente os 27,1 mil milhões de euros que já comprados ao abrigo do QE, ativado desde março de 2015.

Segundo as contas anuais do BCE relativas a 2016, o banco central ainda terá consigo perto de 9 mil milhões de euros em OT que vêm do tempo da crise soberana (compras feitas em 2010 e 2011).

É por esta razão que o BCE está a “calibrar” as compras mensais, estando a absorver muito menos valor em OT do que seria teoricamente suposto.

Só para se ter uma noção do abrandamento no ritmo do QE dirigido a Portugal, as compras caíram de um máximo de 1451 milhões de euros em obrigações portuguesas em maio do ano passado para apenas 526 milhões em abril último, o valor mais baixo desde que existe o programa QE. Afundou 64%. E face a março desceu 21%.

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