Fórum BCE 2017

Draghi pede a jovens portugueses para “terem paciência quanto à retoma”

Diálogo com a juventude marca início do Fórum BCE, em Sintra. "Se aumentarmos taxas no momento errado podemos cair em nova recessão", diz Draghi.

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), já está em Portugal e uma das suas primeiras mensagens foi pedir aos jovens portugueses para “terem paciência” quanto à recuperação da economia, designadamente, quanto à capacidade de conseguirem juntar dinheiro, de poupar. Admitiu ainda que a desigualdade é uma fonte de “destabilização financeira” e apontou o exemplo do desemprego, que afeta mais os jovens.

Numa sessão de “Diálogo com a Juventude” sobre investimento em inovação e produtividade, que será o tema do quarto Fórum BCE, que começa esta segunda-feira (26), num resort em Sintra, e acaba na quarta-feira (28), o presidente do banco central foi questionado por estudantes sobre a dificuldade que as taxas de juro baixas está a criar à poupança dos jovens millennials, para quem “está a ser difícil acumular riqueza”.

No encontro, que decorre no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Draghi começou por responder de forma retórica. “De que millennials estamos a falar, porque há muitos tipos de millennials. Há os que têm trabalho e os que não têm, há os que poupam e os que não poupam”, questionou.

Taxas de juro baixas ajudam muito, diz BCE

Para o presidente do BCE, “a poupança vem do crescimento e as taxas de juro tem de estar baixas para o crescimento regressar”. Porque “se aumentarmos taxas de juro no momento errado, podemos cair numa nova recessão, e uma recessão não é boa para os millennials, nem para os não millennials”.

Em jeito de exemplo, acrescentou apenas que, para o que querem poupar, “as atuais taxas de juro baixas são favoráveis ao crédito à habitação”, mas que para sentir a recuperação das economias da zona euro “temos de ser pacientes”.

Draghi foi ainda questionado sobre “como até a desigualdade afeta a estabilidade financeira”. O italiano saudou o “renovado interesse sobre o tema, que durante muitos anos ignorado” e disse que o BCE pode ajudar a reduzir a desigualdade “se tivermos sucesso em atingir o nosso objetivo”, que é manter a inflação perto mas abaixo dos 2%, “um número que ainda não alcançamos”.

Recordou que “as baixas taxas de juro beneficiam os devedores, que são as pessoas”, e que a seu ver “a maior fonte de desigualdade é o desemprego e o desemprego jovem”.

Claro que o BCE não deve fazer tudo sozinho, observou, dizendo que “há muitas formas de lutar contra o desemprego”. Referiu que para haver mais investimento em inovação e produtividade, é preciso um ambiente de confiança e amigo do crescimento, defendendo que “impostos baixos” são importantes nesta equação.

O líder do BCE disse ainda que “não há trade off possível [optar por trocar] entre investimento em produtividade e investimento em pessoas” pois “investimento em tecnologia tem de ser complementado com investimento em capital humano”.

Nesse sentido, desdramatizou e referiu que “há muito espaço para expandir inovação. “Temos incontáveis possibilidades tecnológicas, a tecnologia aqui não é o limite.”É preciso confiança, sem ela há muitas possibilidades que não são aproveitadas” e a “informação tem de ter transparência e ser fiável”. Disse que, neste campo, o investimento do BCE tem sido uma constante e espera ter progredido muito, aceitando contudo que não são perfeitos e que podem fazer ainda melhor.

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