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Draghi. “Travagem da economia pode durar mais tempo que o esperado”

Mario Drahi, presidente do Banco Central Europeu. Fotografia: Banco Central Europeu
Mario Drahi, presidente do Banco Central Europeu. Fotografia: Banco Central Europeu

BCE diz ter instrumentos para responder a nova recessão e que durante dois anos não irá despejar no mercado a dívida pública que andou a comprar.

O abrandamento da economia da zona euro “pode durar mais tempo do que o esperado”, alertou esta terça-feira, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), num debate no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo.

Mario Draghi foi questionado sobre se está a fazer tudo o que está ao seu alcance para contrariar o clima de maior incerteza e de menor dinamismo e até sobre se o BCE tem instrumentos suficientes para evitar uma nova recessão (já que as taxas de juro estão em zero e acabou o programa de compra de ativos e de dívida pública).

A resposta foi: sim e sim. Segundo o chefe máxima da política monetária da zona euro, “o BCE tem instrumentos para responder a uma recessão”, mas frisou que os dados que tem na sua posse nada levam a crer que se esteja a caminhar nesse sentido.

Decidimos parar o nosso programa de compra de ativos”, o chamado quantitative easing (QE), mas na verdade todo esse dinheiro que foi injetado nos bancos e na economia durante estes três anos de QE, vai continuar no mercado. Por exemplo, os Estados (Portugal, por exemplo), não vai ter de pagar já ao BCE e aos credores, que ficaram com essas obrigações do Tesouro.

Vamos recomprar 150 mil milhões de euros de obrigações por mês nos próximos dois anos à medida que as obrigações forem vencendo”, explicou Draghi aos eurodeputados. A seu ver, isso é uma boa proteção contra uma eventual recessão.

Mas admitiu logo em seguida que “estamos a receber dados económicos mais fracos do que esperávamos há já algum tempo e há mais tempo do que esperávamos, há alguns meses”, revelou.

Por exemplo, na indústria automóvel” há sinais de abrandamento, mas o BCE considera que “são de natureza mais temporária”.

No entanto, “há causas de tipo mais permanente”, começou por explicar. “O ano de 2017 foi excecional, comparando com as médias históricas” e “o abrandamento pode durar mais tempo do que o esperado”.

Do que dependerá este abrandamento? Dos mesmos fatores que levaram ao abrandamento no início. O abrandamento da China e as incertezas geopolíticas, por exemplo. Estas inseguranças põem em causa os pilares em que se baseia a ordem construída no pós-Segunda Guerra Mundial e a própria União Europeia”, advertiu o presidente do BCE.

E deu exemplos de ameaças. “Brexit, negociações comerciais com a China, fatores que põem em causa o multilateralismo nas relações económicas”. Os custos disto são negativos, disse Draghi. “É a confiança mais reduzida das empresas e dos consumidores”, portanto, estamos a avaliar como estão a ir as coisas.

Em dezembro, o BCE reviu a projeção de crescimento real da zona euro em baixa (menos uma décima) para 1,7% em 2019. Em 2020, considera que a economia vai evoluir ao mesmo ritmo e em 2021 pode perder gás, crescendo apenas 1,5%.

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