Comissão Europeia

Durão Barroso responde e acusa Bruxelas de “discriminação”

Fotografia: EPA/JULIEN WARNAND
Fotografia: EPA/JULIEN WARNAND

Antigo primeiro-ministro defende-se de Jean-Claude Juncker, que pediu para examinar, de novo, contrato com Goldman Sachs

É através de carta que Durão Barroso responde a Bruxelas. O ex-presidente da Comissão Europeia acusa a instituição de estar a ser “discriminatória” e “inconsistente” depois de Jean-Claude Juncker ter pedido uma consulta ao gabinete de ética sobre o cargo de administrador não executivo do Goldman Sachs, segundo um documento a que o Financial Times teve acesso.

“Tem sido entendido que o mero facto de estar a trabalhar para o Goldman Sachs levanta questões de integridade. Embora respeite que todos têm direito à sua opinião, as regras são claras e devem ser respeitadas. Estes protestos não têm qualquer base nem qualquer mérito. São discriminatórios para mim e para o Goldman Sachs”, sustenta Durão Barroso.

O ex-presidente da Comissão Europeia vai passar a ser tratado como lobista – representante de interesses privados – depois de ter aceitado o cargo de administrador não executivo do Goldman Sachs International. A decisão terá sido tomada por Jean-Claude Juncker.

Leia aqui: Durão Barroso, o lobista, garante reforma vitalícia de 18 mil euros por mês

Sobre a nova consulta ao gabinete de ética, Durão Barroso “gostaria de perceber como esta decisão foi tomada, por quem e em que condições. Não só são ações discriminatórias como parecer ser inconsistentes com as decisões tomadas em relação a outros antigos membros da Comissão Europeia”.

Em causa está, por exemplo, a entrada da antiga comissária para a Política Digital Neelie Kroes, que foi nomeada em maio como uma das conselheiras da Uber.

Durão Barroso queixa-se também da perda de privilégios e o facto de ser tratado como um lobista quando dirigir-se à Comissão Europeia. “Nunca reclamei uma posição privilegiada, mas não esperava esta discriminação”, concluiu o antigo primeiro-ministro português.

A escolha de Durão Barroso para o cargo de administrador não executivo do Goldman Sachs International foi tornada pública a 8 de julho. A instituição destacou que “a perspetiva, capacidade de avaliação e aconselhamento [de Durão Barroso] irão acrescentar muito valor ao conselho de administração da Goldman Sachs International, à Goldman Sachs, aos seus acionistas e trabalhadores”.

(Notícia atualizada às 14h45 com mais informação)

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