Economia

Durão Barroso. “As elites portuguesas não têm estado à altura”

Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens
Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

O ex-presidente da Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro arrasa política para os portos nacionais.

Durão Barroso considera que as “elites” portuguesas não têm tido a capacidade de “sacrifício” da população em geral. “Contra mim falo”, confessou o ex-presidente da Comissão Europeia, considerando-se “uma pessoa privilegiada.” “Acho que as elites portuguesas não têm estado à altura da capacidade notável, do sacrifício e da resiliência do povo em geral”, assinalou o antigo primeiro-ministro português.

Durão Barroso afirmou que tem “havido erros gravíssimos”, mas recusou entrar em detalhes na intervenção que fez esta terça-feira, no congresso da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) a decorrer no Estoril.

“Portugal tem uma grande capacidade de se reinventar o país tem uma resiliência notável, e vou dizê-lo com franqueza, mais do povo”, afirmou o ex-presidente do executivo comunitário, acrescentando que é na União Europeia (UE) que se joga o futuro do país.

“A nossa fronteira é a UE e é aí que se joga se facto o nosso futuro e o que se exige das autoridades portuguesas têm de entender e acho que entendem o que é o interesse nacional”, assinalou Durão Barroso, sublinhando que “sem UE não tínhamos qualquer hipótese de defender a nossa economia. Só na UE é que nos podemos defender”, concluiu.

A questão que incomoda
O antigo primeiro-ministro, que abandonou o executivo para assumir a liderança da Comissão Europeia em 2004, confessou que há uma questão que o incomoda. “Nós falamos muito do mar e temos a maior zona económica exclusiva (ZEE). Uma coisa que me incomoda é que Portugal continua a não ter portos com capacidade”, lamentou Durão Barroso, lembrando que “a Suíça, que não tem mar, tem uma marinha mercante a sério. Temos de aproximar mais o nosso discurso da realidade”, desafiou.

O antigo primeiro-ministro sublinhou que Portugal “está mais perto, em termos marítimos, da China do que os portos de Hamburgo ou Roterdão”.

Num painel sobre a globalização, Durão Barroso defendeu que “estamos a assistir a um abrandamento da globalização, mas não estamos, pelo menos não estamos ainda, a assistir a uma reversão da globalização”.

O “chairman” do banco Goldman Sachs reconheceu que “há forças que estão a combater a globalização, populistas, protecionistas, nativistas — nos EUA mas também na Europa, já que o voto do brexit também espelha que pessoas consideram que outras pessoas, incluindo outros europeus, estão a vir para o país para competir com eles”, mas acredita que ainda não há regressão.

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