Durão Barroso

Durão e a economia social alemã: “Aberta mas com pessoas no centro”

Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia
Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia

Presidente da Goldman elogia o modelo alemão e não defende o rendimento universal, preferindo o subsídio de desemprego.

Sorridente mas preocupado, o ex-presidente da Comissão Europeia e atual presidente não-executivo do Goldman Sachs participou esta semana num debate online sobre “O futuro do trabalho – o novo humanismo”, promovido pela AESE Business School, onde falou de globalização assente em valores humanos e nas surpresas da inteligência artificial, uma realidade que “deixou de ser ficção científica” e em que deposita muitas esperanças. Neste encontro, em que participou o Dinheiro Vivo, Durão Barroso deixou rasgados elogios ao modelo alemão da economia social de mercado, pela forma como pode contribuir para as economias abertas e a igualdade de oportunidades. Um mix de capitalismo e políticas sociais, com o homem no centro.

A ideia é ter concorrência em mercado aberto e, ao mesmo tempo, as vantagens de um Estado de Previdência, com o Estado a proteger os que não podem ingressar no mercado de trabalho devido à velhice, deficiência ou desemprego.

Barroso rejeita a ideia de garantir rendimento a quem não trabalha. Prefere falar de garantias de segurança no desemprego (subsídio). Não rejeita a necessidade de a comunidade apoiar quem não pode trabalhar por deficiência, por ex., mas “alguém receber sem trabalhar quando poderia, não gosto”.

De humanos híbridos a May
“A tecnologia traz ganhos ao homem como traz riscos. A inteligência artificial deixou de ser ficção científica, pode fazer com que parte de nós seja tecnologia, com implantes eletrónicos.” São híbridos, o homem deixa de ser 100% humano e “onde fica a essência humana no progresso?”, questionou.

Como podemos redefinir a globalização e fazer com que assente em valores humanos e funcione para todos? Durão é a favor de uma abordagem multinível via cooperação internacional, conciliando agendas e poderes que competem entre si. Não concorda com as palavras da ex-primeira-ministra britânica, Theresa May, quando disse após o referendo do brexit: “Se acredita ser um cidadão do mundo, é um cidadão de lugar nenhum.”

Na sua opinião, “precisamos de trabalhar em conjunto”, sem esquecer os países em desenvolvimento na recuperação da crise pandémica e no acesso à vacina. Deixa nos ombros dos líderes essa missão. “As decisões dependem da qualidade da liderança” e precisamos de boa liderança para superar os tempos em que vivemos.

O debate, organizado pelos alumni da AESE, contou ainda com o especialista em desenvolvimento humano integral e Nobel da Economia. James Heckman aposta no papel das soft skills na progressão social e afirma que “a crise está a criar uma procura por pessoas com habilidade para responderem às mudanças”, uma nova e valiosa competência. Peter Turkson, presidente do Conselho para a Justiça e a Paz do Vaticano, apresentou o lado bom da globalização ao reduzir distâncias graças às tecnologias de comunicação, e o menos bom: “Não nos transforma em irmãos.”

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