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É a almofada financeira suficiente no governo de gestão?

Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças, tem insistido na tese dos "cofres cheios", que dão alguma tranquilidade na eventualidade de Portugal ter de enfrentar dificuldades de financiamento no mercado.

Sem citar números, Maria Luís referia-se, em junho, a “uma reserva financeira muito confortável”, suficiente para “vários meses”, em caso de necessidade. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) aponta para um saldo de reservas financeiras no final do ano de 8,6 mil milhões de euros, só do Tesouro. A isto somam-se as reservas da segurança social, autarquias, regiões e empresas públicas. No final de agosto, o Banco de Portugal contabilizava um total de 18,2 mil milhões de euros em numerário e depósitos das administrações públicas.

A questão que se coloca é se essa almofada é suficiente na eventualidade de um governo de gestão e por quanto tempo. Com base nos sinais dados até agora pelos mercados, os analistas e economistas contactados pelo Dinheiro Vivo não estão muito preocupados. Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, lembrou mesmo que “a Bélgica esteve quase dois anos em governo de gestão e continuou a emitir dívida”. No caso de Portugal, considera que os mercados já antecipam essa possibilidade, sem que o prémio de risco e os juros da dívida tenham aumentado. E não prevê grandes alterações a menos que haja um recuo nas medidas feitas até agora ou se vierem a ser adotadas medidas que vão contra os acordos com a União Europeia.

O ex-ministro da Finanças Medina Carreira também acha que “tudo dependerá das políticas que forem adotadas e da reação do mercado”. E adverte que, “se forem adotadas medidas expansionistas, se houver gastos acima das nossas possibilidades, o mercado acabará por reagir”, defendendo que a gestão dos dinheiros públicos deve ser “muito rigorosa e prudente”.

Filipe Garcia, presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros, considera que o mercado acredita que “qualquer que seja o governo, o realismo acabará por levar a cumprir os compromissos, como aconteceu na Grécia” e não mostra grandes preocupações, sendo muito mais importante a garantia de apoio dada pelo BCE .

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