Portugal Mobi Summit

É urgente acelerar as políticas para não travar a mobilidade elétrica

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A mobilidade elétrica e a aposta nas bicicletas e circuitos pedonais foram os temas centrais da segunda sessão do PMS. A pandemia trouxe muita incerteza, mas é preciso agir agora para não comprometer as estratégias de longo prazo, avisam gestores e governantes.

De três milhões, em 2019, para quatro milhões em 2020. Esse é o incremento no fundo ambiental para estimular a compra de veículos elétricos. A medida, explica Eduardo Pinheiro, secretário de Estado da Mobilidade, será sempre acompanhada de outras políticas como, por exemplo, a instalação de mais de 600 postos pelo país para incentivar o mercado a continuar a estender esta rede: “Foi dado um passo importante, que permitiu também a todos os municípios terem, no mínimo, um posto de carregamento.”

Ainda assim e, apesar de a infraestrutura estar a expandir-se “bastante”, não cresce ao ritmo de venda dos veículos, defende António Coutinho, administrador da EDP Comercial, alertando para a urgência de se “alinhar” estas duas velocidades para não travar o “crescimento potencial” dos elétricos.

A mobilidade elétrica e o seu papel na transição energética no cenário de pós-pandemia, foram os pontos centrais da segunda sessão do Portugal Mobi Summit que, esta tarde, contou também com a participação Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, e ainda de Manuel Melo Ramos, CEO da Brisa Concessão Rodoviária.

A eletrificação, contudo, não se esgota apenas nas viaturas particulares, sobretudo agora que os transportes públicos são última opção nesta primeira fase da reabertura da economia. E a transformação – com ou sem a pandemia para atrapalhar – nunca será fácil nem tão-pouco conseguida “de um dia para o outro”, adverte Carlos Carreiras, lembrando que, para fazer o investimento em mobilidade suave e alterar a lógica dos transportes públicos no município foi preciso “muita teimosia” para quebrar as resistências.

“Em Portugal, e em Cascais também, há sempre um conjunto de interesses instalados que, por vezes, não são fáceis de furar”, conta o autarca, defendendo que, além de confortável e barato, a transformação da rede terá sempre de ser flexível o suficiente para cobrir tanto as zonas de maior como de menor procura.

Tratam-se, no fundo, de investimentos estratégicos para prosseguir com a transição energética, mas o percurso a curto e médio prazo é, neste momento de “muita incerteza”, diz Manuel Melo Ramos. Se, no ano passado, o transporte público e a mobilidade partilhada pareciam tendências seguras e “sem retorno”, agora, nesta fase da pós-pandemia, estão “bastante” postos em causa. “Diria que é principalmente uma questão de medo que as pessoas têm do contacto e do relacionamento muito próximo”, explica o CEO da Brisa Concessão Rodoviária.

E será preciso também não esquecer que a conciliação entre teletrabalho e as deslocações ao escritório podem vir também a transformar a mobilidade urbana. Se, de um lado, há aqui uma oportunidade para aliviar os congestionamentos em horas de ponta, por outro, pode também abrir uma brecha para impulsionar a adoção do transporte individual: “A incerteza é muito grande ainda…”

Daí a urgência de se agir de “forma rápida nos modos ativos” de mobilidade, reconhece o secretário de Estado, olhando para a bicicleta e para os circuitos pedonais como as grandes apostas para esta fase de desconfinamento: “É um momento importante, devemos promover a micro mobilidade, como estamos a fazer, e a este nível, os municípios têm um papel determinante como gestores do território, para garantir que tal aconteça”, remata Eduardo Pinheiro.

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