pagamentos eletrónicos

A Easypay mudou: “Em cinco anos vamos deixar de ter dinheiro na carteira”

Foto: Filipe Amorim/Global Imagens
Foto: Filipe Amorim/Global Imagens

Sebastião Lancastre, CEO da empresa de pagamentos Easypay, explica em entrevista ao Dinheiro Vivo / Insider como mudou por completo a sua empresa.

A Easypay mudou. “Mudámos tudo, nada ficou igual, da forma como contratamos talento até à forma de fazer negócio”, diz-nos Sebastião Lancastre, que admite que ele próprio, como CEO, “também teve de se transformar”. A sua empresa de pagamentos quer ser vista cada vez mais como uma fintech “instantânea e conetada”, aproveitando os ventos de mudança com a nova diretiva europeia dos pagamentos (PSD2) e o responsável admite: “queremos liderar a mudança no setor dos pagamentos”.

Nesse contexto, lançaram uma biblioteca de Web Services e querem continuar a mudar a maneira como os seus 6500 clientes (com 48 tipos de cobrança diferentes) cobram pelos seus serviços. “Em 2019 todos pagamentos vão ter dois passos de confirmação, o que também vai transformar indústria”. Lancastre indica também que a empresa celebrou um acordo comercial com BBVA e que “podem ajudar bancos com serviços diferentes”.

Sobre o futuro, acredita que “nos próximos cinco anos o dinheiro vai desaparecer das nossas carteiras”, e que o dinheiro invisível é o que faz mais sentido, tal como “ter ferramentas para nos avisar de que estamos a gastar mais do que queríamos”. Portugal até já foi um dos mais avançados países europeus em pagamentos eletrónicos, mas o CEO da Easypay admite que hoje em dia “usamos pouco os pagamentos contactless, ainda preferimos referências MB, o que é pena”.

KuantoKusta e as novas apostas

Um dos tipos de serviço que está em testes pela empresa são os marketplaces, tipo Amazon, que criaram no final de 2018 para o site KuantoKusta. “O desafio que nos lançaram foi apresentarmos uma solução para que as pessoas pudessem comprar qualquer um dos produtos referidos no site de forma direta”, explica Sebastião Lancastre. A Easypay permite ainda, para dar confiança ao consumidor, que o valor pago por um produto “que é depositado na conta do comerciante fica cativo até a encomenda ser entregue ao cliente final”. “Esta retenção dos fundos é algo inovador e dá uma confiança sem precedentes ao consumidor, que sabe que recebe o dinheiro de volta se o produto não chegar”.

O responsável explica que a Easypay é uma fintech diferente do habitual: “temos a agilidade de uma fintech e o conhecimento do legado no setor bancário até pela minha experiência e a do meu pai na UNICRE”. Sobre a possibilidade de apostar em criptomoedas, foi algo que foi pensado na empresa, mas não se avançou. “Não fica de fora entrarmos nessa área, não podemos fechar nada neste setor. Por isso, admite que já não tentam ser donos de tudo. “Antes tínhamos um data center com servidores, hoje temos empresas associadas que nos ajudam a desenvolver a nossa cloud, não precisamos de dominar tudo, temos de ir buscar o melhor que há”.

A nova imagem da Easypay

A nova imagem da Easypay

O sucesso anterior: EMEL e Fitness Hut

A ideia base a Easypay passa por “transformar as empresas que confiam em nós e mudar a forma como recebem os pagamentos e os gerem no dia a dia”. Foi isso que Lancastre indica que conseguiram fazer com a EMEL. “Começámos com os parquímetros, mas hoje fazemos 100% dos pagamentos da empresa, das bicicletas Gira aos pagamentos pela app ePark”.

Outro dos exemplos é o trabalho com a UNICEF. A ONG tinha um desafio gigante de gerir os débitos diretos dos cinco mil doadores e “estavam em pânico”, por complicações com o débito direto onde se tornava necessário “enviar e receber ficheiros do banco”. Lancastre explica que com a Easypay “não há nada disso”: “nós fazemos a gestão automatizada, só precisamos de saber o que é preciso cobrar, a verdade é que os doadores aumentaram e já têm 45 mil”.

O serviço típico faz a cobrança combinada com o doador no início do mês, se não for bem sucedida são feitas mais duas tentativas naquele mês e, por último, é enviado um SMS com códigos para ser feito o pagamento da outra forma. “A Unicef conseguiu, com isto, aumentar a taxa de cobrança”. Lancastre explica que a sua empresa dedica-se aos pormenores,
“o diabo está nos pormenores, fazem a diferença”.

O terceiro exemplo é o trabalho feito com a Fitness Hut, que começou com uma proposta ao Holmes Place. “Apresentámos soluções ao diretor financeiro na altura que, quando saiu e foi para a Fitness Hut, quis que geríssemos 100% dos pagamentos”. “São mais de 42 ginásios, cada tem 6 mil membros e fazem as cobranças aos clientes de 15 em 15 dias.

PSD2 veio mudar tudo: acelerar os pagamentos e agregar informação

E o que é a PSD2? É a nova diretiva europeia dos serviços de pagamento (PSD2), que visa responder às inovações tecnológicas nos serviços de pagamento. Vem permitir a entrada de novos operadores nos serviços de pagamentos, como é o caso dos prestadores de serviços que agregam a informação financeira dos clientes. Isto permite ao cliente juntar numa única plataforma a informação de várias contas bancárias, mesmo que de bancos diferentes. Além disso, permite fazer pagamentos de forma imediata e a partir de qualquer plataforma.

Para Sebastião Lancastre, a agregação da informação cria novas oportunidades para a empresa, inclusive na possibilidade de lançaram uma app para empresas que permita concentrar informação de bancos diferentes. Hoje em dia todos os pagamentos feitos pela Easypay são online, “não há backups nem extratos” e com a nova legislação “podem-se acrescentar muito mais informação sobre os pagamentos”.

Outra das vantagens é que quando uma empresa envia um email com fatura, pode-se logo a partir do email iniciar um pagamento. “Quando alguém recebe um email com a fatura da NOS, pode clicar num botão que inicia o pagamento, o cliente identifica a conta bancária de onde quer que saia o valor e o pedido de pagamento vai logo para a conta bancária, basta autorizar o pagamento que é executado em 10 segundos, é instantâneo”.

Lancastre também destaca a forma como uma única plataforma, mesmo sem pertencer a nenhum banco, pode agregar toda a informação bancária. “A informação pode ficar consolidada numa única app”. Daí que a Easypay prepare muitas novidades nesta área para 2019. O CEO garante: “só vencem as empresas que deram poder aos utilizadores”. O responsável admite procurar para “a nova Easypay” a facilidade que se sente quando se usa o Revolut. Os utilizadores “têm poder, quando vêm a informação agregada e podem escolher a conta de onde sai, com que regras”.

Daí que a nova diretiva seja uma “oportunidade tremenda”. A Easypay espera lançar em breve, neste contexto, uma app para empresas onde se agrega toda a informação bancária”. Há ainda outros projetos a pensar “no público em geral”.

Para sustentar a sua mudança, a empresa espera investir mais 250 mil euros em 2019 e passar de 17 funcionários, para os 24. “As empresas são as pessoas, se não tiver Ronaldos não marco golos”, explica Sebastião Lancastre que, admite, que há dificuldade em “reter talento por competirem a nível de tecnologia com grandes empresas”.

177 milhões de euros em operações

A Easypay terminou o ano de 2018 com previsões de 177 milhões de euros de pagamentos processados. “Isso significa que os nossos clientes fizeram 177 milhões de vendas, o dinheiro passa nas nossas contas mas não é nosso, é dos clientes”. Em 2017 foram menos 33 milhões de euros (144 milhões).

As receitas diretas para a empresa aproximaram-se dos três milhões de euros, mais 42% do que no ano anterior. Dos milhares de clientes, a Easypay tem o MediaMarkt, Gulbenkian, Global Media, Unicef, Remax, Renova. Mas há exemplos paradigmáticos da diferença que empresa tem conseguido fazer.

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