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Economia cresce ao ritmo mais forte dos últimos dez anos: 2,8%

António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: NUNO FOX/LUSA
António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: NUNO FOX/LUSA

Procura interna manteve contributo positivo elevado, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e uma aceleração do investimento, diz INE.

A economia portuguesa está a crescer ao ritmo mais forte em quase dez anos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,8% no primeiro trimestre de face a igual período do ano passado, o que representa uma aceleração significativa face ao final de 2016, altura em que a economia cresceu 2%.

Segundo a nova estimativa rápida do INE, “o Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, aumentou 2,8% em volume no 1º trimestre de 2017 (2% no trimestre anterior)”. De acordo com as séries longas do PIB, é preciso recuar ao 4º trimestre de 2007 para encontrar um crescimento assim tão elevado, de 2,8%.

Recorde-se que no início deste ano aconteceram vários fatores que ajudam a explicar aquele impulso maior no PIB. Houve um aumento do salário mínimo, a continuação da devolução de salários públicos e do fim da sobretaxa do IRS. Além disso, o primeiro trimestre de 2016 foi relativamente fraco (a economia cresceu apenas 1% nessa altura), pelo que se nota agora um efeito de base significativo.

No destaque publicado nesta segunda-feira, o INE explica que a aceleração da economia neste arranque de ano, pelo terceiro trimestre consecutivo, “resultou do maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo, refletindo a aceleração em volume mais acentuada das exportações de bens e serviços que a das importações”.

Além disso, “a procura interna manteve um contributo positivo elevado, embora inferior ao do trimestre precedente, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e uma aceleração do investimento”.

Recorde-se que o investimento teve um início de 2016 bastante difícil, arrastado por uma contração da componente pública, mas já mais para o final, o investimento público despertou, animado pela entrada de fundos europeus. Este ano, estima-se que o investimento público possa crescer na casa dos 30% ou até mais.

O INE diz ainda que a economia cresceu em cadeia (face ao último trimestre de 2016) cerca de 1% em termos reais, tendo por isso acelerado face aos 0,7% precedentes.

“O contributo da procura externa líquida para esta variação em cadeia do PIB passou de negativo para positivo, observando-se um significativo aumento das exportações de bens e serviços, mais elevado que o das importações”.

Investimento total cresce, mas de forma moderada

“O contributo da procura interna diminuiu de forma expressiva devido, principalmente, ao comportamento do investimento, verificando-se um contributo negativo da variação de existências”. Isto é, houve uma depreciação do valor do investimento já realizado e ainda por utilizar. Podem ser stocks em armazém que entretanto viram o seu preço de mercado baixar, por exemplo.

“O contributo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que é o investimento novo que realmente entrou no período em análise, “foi positivo no 1º trimestre de 2017, mas inferior ao observado no trimestre anterior”, refere ainda o instituto.

O governo acredita que a FBCF pode expandir-se 4,8% este ano, depois de ter caído 0,1% em termos reais, em 2016.

No final deste mês, a 31 de maio, o INE divulgará os resultados completos do PIB e suas componentes relativos ao 1º trimestre de 2017.

Governo, Banco de Portugal e, mais recentemente, Comissão Europeia projetam um crescimento médio anual de 1,8% para este ano.

(atualizado às 12h45)

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