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Economia desacelera para 2,1% no terceiro trimestre

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Marcelo Rebelo de Sousa e Mário Centeno. Fotografia: Sara Matos/Global Imagens

Consumo das famílias travou, tendo sido o principal responsável pelo enfraquecimento do ritmo económico. O investimento até acelerou.

A economia portuguesa perdeu força, desacelerando de 2,4% no segundo trimestre para 2,1% homólogos no terceiro, indicou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se do desempenho mais fraco dos últimos dois anos. É preciso recuar ao segundo trimestre de 2016 para encontrar um crescimento mais baixo (1,3%).

Segundo o INE, neste período de julho a setembro de 2018, o consumo das famílias travou, tendo sido o principal responsável pelo enfraquecimento do ritmo de expansão do produto interno bruto (PIB) face ao terceiro trimestre do ano passado. Em compensação, o investimento acelerou um pouco.

Em termos homólogos (comparando o terceiro trimestre de 2018 com igual período de 2017), “a procura interna registou um contributo menos positivo, em resultado da desaceleração do consumo privado, uma vez que o investimento apresentou um crescimento ligeiramente mais acentuado”, refere o INE na nova estimativa rápida das contas nacionais.

O comércio internacional também continua a penalizar a dinâmica de crescimento, já que “a procura externa líquida [saldo entre exportações e importações] apresentou um contributo negativo idêntico ao observado nos dois trimestres anteriores”, refere o INE.

No fundo, significa que o crescimento das exportações totais de bens e serviços está cada vez mais fraco, comparando com o avanço das importações.

Como esta é uma estimativa rápida, o INE ainda não calcula o andamento das exportações e importações no terceiro trimestre, mas sabemos que no período de abril a junho as vendas de Portugal ao exterior estavam a crescer 6,8% em termos homólogos, sendo superadas pelo ritmo das importações que acelerou para 7,9%.

O que está a acontecer com as vendas da Autoeuropa, por exemplo, com milhares de carros acumulados no porto de Setúbal devido à greve dos estivadores precários deverá estar a penalizar diretamente as exportações nacionais.

Fonte: INE

Fonte: INE

Abaixo da média anual

Os 2,1% de crescimento no terceiro trimestre reduzem a média do ano para 2,2%, que assim fica abaixo dos 2,3% estimados pelo governo para o conjunto de 2018 (estimativa do Orçamento do Estado de 2019).

O ritmo médio de janeiro a setembro só não foi inferior a 2,2% porque o INE reviu em alta (mais uma décima) os crescimentos do primeiro e do segundo trimestre, para 2,2% e 2,4%, respetivamente.

Crescimento em cadeia também enfraquece

“Comparativamente com o 2º trimestre de 2018, o PIB aumentou 0,3% em termos reais, menos 0,3 pontos percentuais que no trimestre anterior”, revela o INE.

“O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou de nulo a negativo, refletindo uma diminuição das exportações de bens e serviços mais intensa que a das importações. O contributo positivo da procura interna aumentou no 3º trimestre, traduzindo o crescimento mais elevado do consumo privado e do investimento.”

A segunda estimativa para as contas nacionais trimestrais do terceiro trimestre de 2018 será divulgada no próximo dia 30 de novembro de 2018, segundo diz o INE.

(atualizado 10h45)

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