conjuntura

Economia global está e entrar em “estagnação sincronizada”

Foto: D.R.
Foto: D.R.

Índice conjunto do Brookings Instititution e do Financial Times repete avisos em véspera das reuniões anuais do FMI e Banco Mundial

Os índices de recuperação económica global continuam a apontar no mesmo sentido: o crescimento continua a pairar baixinho nas principais economias – nalgumas, como a Alemanha, começa a afundar – e o mundo desliza agora para um período de “estagnação sincronizada”.

O alerta é renovado no último relatório sobre os índices de recuperação do think-tank norte-americano Brookings Institution, construído em conjunto com o económico britânico Financial Times. Foi publicado este domingo, em vésperas do arranque, em Washington, das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que têm início segunda-feira.

O quadro global ainda não aponta para uma recessão, mas faltam respostas das políticas monetárias e orçamentais quanto ao que fazer para atirar os indicadores um pouco mais para cima. O quadro global atual mostra os índices de evolução económica e os de atividade real em trajetória descendente, assim como os relativos à confiança e à atividade financeira.

Índices de recuperação económica global - Brrokings Institution/Financial Times

Índices de recuperação económica global – Brrokings Institution/Financial Times

 

“O abrandamento mundial está a dar lugar a uma estagnação sincronizada caracterizada por crescimento fraco nalgumas das principais economias e, essencialmente, nenhum crescimento ou leve contração noutras. Os medos quanto a uma recessão global iminente são prematuros, mas os decisores políticos parecem estar sem saber como reanimar o crescimento, com pouco apetite por reformas fundamentais e espaço limitados para um efetivo estímulo macroeconómico”, escreve o economista Eswar Prasad, do Brookings.

Mais uma vez, são as tensões comerciais e geopolíticas das guerras de tarifas movidas pelos EUA aos parceiros na China, União Europeia e outras paragens que são apontadas na base do problema, ao mesmo tempo que se acumulam os receios quanto a uma incapacidade de os bancos centrais, e governos, levantarem as condições económicas.

Mas nem tudo aponta na pior direção. O relatório assinala sinais positivos no comportamentos dos mercados de trabalho e do consumo das famílias, mesmo em “economias anémicas como a da Alemanha”, que se prepara para entrar em recessão técnica.

Na passada semana, a nova diretora executiva do FMI, Kristalina Georgieva, avisava já que 90% do mundo está hoje a crescer mais lentamente. O aviso deve refletir-se nas perspetivas de crescimento que vão ser conhecidas na próxima terça-feira. Em julho, o Fundo voltou a moderar expetativas, prevendo 3,2% de crescimento global este ano.

Para Portugal, a previsão do FMI é ainda de uma expansão de 1,7% do PIB. Mas o país segue nos indicadores compilados pelo Brookings em linha com a tendência global, embora de forma menos acentuada.

Índice de recuperação económica em Portugal - Brrokings Institution/Financial Times

Índice de recuperação económica em Portugal – Brookings Institution/Financial Times

 

Na Europa, o relatório dos índices de recuperação económica de outubro identifica algumas economias que resistem à trajetória geral. “França, Holanda e Espanha estão a experienciar crescimento modesto e resultados de um mercado de trabalho robusto apesar do enfraquecimento do comércio”. Já a economia italiana responde menos bem e parece ter parado de crescer devido à instabilidade política vivida pelo país, refere Eswar Prasad. Não há comentários quanto a Portugal.

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