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Economia mantém expansão de 1,8% no 2º trimestre, mas investimento perde gás

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António Costa e Mário Centeno (Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA)

Contributo da procura interna para a variação do PIB diminuiu, refletindo a desaceleração das despesas das famílias e sobretudo do investimento.

A economia portuguesa manteve um ritmo de expansão de 1,8% no segundo trimestre face a igual período do ano passado, indicou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quarta-feira. Manteve-se assim a mesma taxa de crescimento registada nos primeiros três meses deste ano.

Em todo o caso, este aumento de 1,8% agora anunciado faz deste trimestre (abril-junho) o segundo trimestre mais fraco desde 2016.

Segundo o INE, “o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB [produto interno bruto] diminuiu, refletindo a desaceleração das despesas de consumo final e, em larga medida, do investimento”.

Em contrapartida, “o contributo da procura externa líquida foi menos negativo que o observado no trimestre anterior, em resultado da maior desaceleração das importações que a observada nas exportações de bens e serviços”, explica o mesmo instituto.

Muitos economistas já esperavam este resultado (manutenção do ritmo de crescimento homólogo da economia).

Significa também que a meta do governo (previsão do Programa de Estabilidade, de abril), continua ao alcance. É 1,9% para o ano de 2019 como um todo.

Fonte: INE

Fonte: INE

De notar também que Portugal está a conseguir resistir em termos de crescimento num ambiente externo que parece ser cada vez mais hostil, um clima de guerra comercial e de retaliação que afeta as exportações e/ou as importações de grandes economias.

Este ambiente anticomercial tem vindo a crescer na sequência de medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos (verbalizadas vezes sem conta pelo Presidente dos EUA, Donald Trump) contra a China, mas também contra a União Europeia.

Em cima, disto a total indefinição sobre como vai ser a saída do Reino Unido da União Europeia, se o brexit será sem qualquer acordo ou não, o que está a assustar cada vez mais os investidores.

Problemas na Alemanha

Países como a Alemanha, grandes exportadores de máquinas e tecnologias, estão já a ressentir-se das barreiras levantadas pelos EUA. E dos territórios desconhecidos no caso do brexit.

A economia alemã, a maior da zona euro, está quase estagnada: cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre face a igual período de 2018. E registou inclusive uma contração face ao primeiro trimestre deste ano, o que significa que pode estar a caminho de uma recessão técnica — basta que a variação do PIB alemão do próximo trimestre volte a ser negativa.

Têm saído vários indicadores que apontam nesse sentido, sobretudo os que medem a confiança dos empresários e gestores alemães, que está em mínimos de oito anos ou mais.

O que acontece na Alemanha acabará por ser mau para todos. Para Portugal também, na medida em que os alemães são um dos principais parceiros comerciais de Portugal e dos maiores investidores no país.

Acresce ainda que, segundo revelou o Eurostat, também esta quarta-feira, a zona euro avançou apenas 1,1% no segundo trimestre (também em termos homólogos), ou seja, travou a fundo face à marca de há um ano (2,2%). Está a meio gás comparando com 2018.

(atualizado 11h00)

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