EUA

Economia norte-americana só criou 2,1 milhões de empregos, salários abrandam

( JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)
( JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Taxa de desemprego mantém-se em mínimos de 50 anos, mas dados desiludem.

A economia dos Estados Unidos criou no ano passado 2,1 milhões de postos de trabalho, menos 800 mil do que aqueles que foram gerados em 2018, revelam dados do Departamento do Trabalho norte-americano publicados esta sexta-feira que apontam para um abrandamento na capacidade de criação de emprego e que, na evolução relativa ao mês de dezembro, sabem a pouco frente às expetativas que vinham sendo avançadas pelos analistas.

No último mês de 2019, o mercado de trabalho norte-americano acolheu mais 145 mil indivíduos num número que fica aquém das previsões de 160 mil novos postos de trabalho. Não é o número mensal mais baixo do ano – fica atrás dos meses de março e fevereiro – mas compara bastante mal com o mês de dezembro de 2018, quando a economia conseguiu criar mais de 200 mil postos de trabalho.

Os maiores ganhos anuais por sector foram alcançados na saúde (399 mil postos de trabalho) e na hotelaria e indústrias de entretenimento (388 mil), únicas áreas com melhorias face a 2018. Na indústria de manufatura, transportes e construção os empregos gerados foram mesmo inferiores a metade do que a economia criou no ano anterior – e as fábricas dos Estados Unidos registam inclusivamente uma perda mensal de postos de trabalho. Nas minas, houve mesmo perda de emprego no conjunto do ano, com menos 24 mil pessoas a trabalhar em 2019.

Ainda assim, a taxa de desemprego chega ao fim do ano ainda colada ao mínimo histórico de 50 anos, nos 3,5%, registados pela última vez em 1969 e que as atuais previsões antecipam como taxa a manter-se também já no corrente ano.

Os dados do último ano indicam também que a média paga por hora aos trabalhadores dos Estados Unidos subiu 2,9%, chegando no final de dezembro aos 28,32 dólares – com 3 cêntimos de ganho e mais uma vez a deixar ficar mal as previsões, que eram mais otimistas. A média salarial nos Estados Unidos tem vindo a subir sem interrupções desde 2010, mas o crescimento de dezembro é o mais fraco que se conhece desde julho de 2018.

“A desilusão clara acontece com os salários. Apesar de toda a conversa sobre um mercado de trabalho saturado e de as empresas estarem a ter dificuldades em encontrar pessoal com as qualificações certas, há poucos indícios de que preço do trabalho esteja a ser fixado num nível mais alto”, refere James Knightley, economista da ING Economics, em nota de análise consultada pelo Dinheiro Vivo na qual prevê um abrandamento no consumo nos Estados Unidos com efeitos no crescimento de 2020.

A subida do emprego em 2019 deixou, entretanto, sem trabalho apenas 5,8 milhões de norte-americanos (eram 6,3 milhões no fim de 2018) e resultou na absorção já de muitos indivíduos em bolsas de subutilização existentes no mercado de trabalho.

Os dados do último Boletim de Emprego mostram que o universo dos trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas encolheu em 507 mil indivíduos, para 4,1 milhões de pessoas, ao longo do último ano. O universo dos desencorajados também caiu com menos 98 mil indivíduos (277 mil no total) e também os inativos (que não procuraram trabalho no mês anterior ao inquérito do Departamento do Trabalho e não contam como desempregados) eram menos 310 mil, num total de 1,2 milhões de pessoas.

Com um maior consumo desta folga, a taxa de participação no mercado de trabalho subiu no último ano 0,4 pontos percentuais, para 63,2%.

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