Floresta

Economia perde 250 milhões de euros por ano com incêndios

Fotografia: EPA/PAULO CUNHA
Fotografia: EPA/PAULO CUNHA

O impacto económico dos incêndios pode facilmente superar os 200 milhões, mas tudo depende da área ardida e das espécies arbóreas afetadas.

Cerca de 9% das exportações portuguesas resultam de atividades económicas relacionadas com a floresta e todos os anos as perdas diretas associadas aos incêndios ascendem a cerca de 250 milhões de euros, de acordo com uma estimativa de Abílio Pereira Pacheco, investigador do INESC. A média anual das perdas entre 2005 e 2014 foi de 173 milhões de euros, conforme é exposto no último relatório final (relativo a 2015) sobre incêndios, elaborado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

perdas

No entanto, é visível na tabela acima exposta que “cada ano é um ano”, uma vez que a área ardida vai variando e, logo, o valor das perdas também. Mas como é que são calculados estes valores? Tudo depende da espécie ardida. Por exemplo, em Pedrógão Grande, onde sucedeu a maior tragédia com incêndios, com mais de 60 mortos, tem uma predominância do eucalipto, que não é das espécies de maior valor económico, como é visível na tabela abaixo reproduzida e que tem como fonte o guia técnico do Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios.

valor espécies

A base de dados nacional de incêndios florestais registou, no período compreendido entre 1 de janeiro e 15 de outubro de 2016, um total de 13 079 ocorrências (2677 incêndios florestais e 10 402 fogachos) que resultaram em 160 490 hectares de área ardida. O ano de 2016 apresenta, desde 2006 (até ao dia 15 de outubro), o segundo valor mais baixo em número de ocorrências e o valor mais elevado de área ardida, o que não indicia nada de bom em termos de impacto económico. As estatísticas completas até 2015 já foram publicadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ver quadro abaixo).

ocorrencias

O problema de a economia perder 200 milhões ou mais de euros por ano devido aos fogos florestais prende-se com o facto de cerca de 120 milhões de euros serem gastos anualmente em prevenção e supressão dos fogos. O problema pode nem estar nestes valores da despesa direta do Estado, mas antes na forma como são aplicadas as verbas. “Há uma deficiente gestão do dinheiro público. Os meios de prevenção só absorvem entre 5 e 10% do orçamento para combater os incêndios. Há uns 20 a 25% para despesas como a vigilância e a deteção, mas isso acaba por entrar mais no combate ao fogo. Grande parte do bolo (40 a 50 milhões de euros/ano) vai mesmo para o combate aos fogos, isto é, metade do orçamento”, explica Paulo Fernandes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em declarações ao Dinheiro Vivo.

Paulo Fernandes integrou um grupo de investigadores do Centro Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD e do INESC para analisar os efeitos que a quantidade de meios humanos e materiais têm na propagação de grandes incêndios (acima de 2500 hectares) ocorridos em Portugal entre 2003 e 2013. Conclusão: a quantidade de meios influencia pouco o resultado do combate a grandes incêndios.

A área ardida é determinada em 2/3 por fatores naturais, determinantes no comportamento do fogo, e cuja variação oferece oportunidades de controlo dos incêndios. O impacto das operações de combate é baixo, quer no resultado dos esforços quer no retorno do investimento, independentemente dos meios empregues, revelaram então os investigadores. O estudo defende que uma mais efetiva identificação e aproveitamento das oportunidades de controlo do fogo é preferível ao despacho massivo de meios de combate para o teatro de operações.

Independentemente das estimativas feitas pelos vários organismos e especialistas, o peso económico da floresta é inegável, quer pelo valor acrescentado bruto do setor quer pela sua produção (mais de mil milhões, segundo os últimos dados do INE no quadro abaixo exposto).

VAB

 

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