Economia portuguesa interrompeu recessão ao fim de 913 dias

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A economia portuguesa cresceu 1,1% no segundo trimestre relativamente aos primeiros três meses deste ano. Foi o maior crescimento do PIB em cadeia entre os 21 países europeus para os quais o Eurostat apresentou, ontem, dados relativos ao período de abril a junho. “Portugal protagonizou a grande surpresa, contra todas as previsões”, disse Azad Zangana, economista da Schroders.

O País terminou assim um período de dez trimestres consecutivos (913 dias) de recessão. A estimativa rápida do INE não adianta grandes explicações sobre a saída da recessão técnica – basta um trimestre positivo em cadeia para sair da recessão e dois trimestres consecutivos negativos para entrar -, mas não deixa de afirmar que a diminuição menos intensa do PIB em termos homólogos (-2% contra -4,1% no 1.º trimestre) se deveu a uma queda menos acentuada no investimento, sobretudo na construção, e à aceleração das exportações.

De facto, os números relativos ao comércio internacional podem constituir parte importante da explicação. As exportações cresceram 6,3% no segundo trimestre, face a igual período de 2012.

Por outro lado, há vários sinais exteriores de investimento, com destaque para a nova unidade de refinação da Galp, em Sines. Só no primeiro semestre, a empresa atingiu exportações no valor de 2,1 mil milhões de euros, mais 19% do que no período homólogo. A Galp estima chegar ao final do ano com exportações no valor de quatro mil milhões de euros.

Apesar de as exportações de carros construídos no País terem uma quebra de 9,7% até julho, houve recuperação desde junho. O grupo PSA (Peugeot Citroën), em Mangualde, cresceu mesmo 36,2% desde janeiro. E o sector dos componentes resiste e aproveita a quebra de produção europeia, por ter preços mais competitivos.

De acordo com uma nota do gabinete do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, um crescimento idêntico (1,1%) no terceiro e quarto trimestres do ano daria uma contração anual de 1% em 2013, bem melhor do que os -2,3% previstos no Orçamento do Estado para 2013 (OE 2013).

No entanto, a verdade é que, nos ciclos económicos 2002-2008 e 2008-2010, o período de expansão teve um crescimento do PIB de 0,4% trimestral em cadeia. Não tendo havido alterações estruturais importantes, é de esperar que essa tendência se mantenha. “Pensando, pelos dados não só do PIB como do emprego, que voltamos à tendência de expansão, terminaremos 2013 com uma contração média anual de 1,3%”, diz Pedro Cosme Costa Vieira, professor da Faculdade de Economia do Porto.

A Universidade Católica, por seu lado, diz que o desempenho “surpreende pela positiva”, mas alerta que “ainda é cedo para falar em inversão do ciclo económico” em Portugal. Aliás, não será por acaso que António Pires de Lima, ministro da Economia, defendeu “prudência” na análise dos dados do crescimento económico, dizendo contudo que Portugal pode estar “num momento de viragem económica”, pelo que 2014 poderá ser “estabilização económica”. A diminuição da taxa de desemprego, para 16,4%, no segundo trimestre, já tinha merecido alguma prudência nas reações do Governo.

Em termos práticos, um recuo de 0,7% no PIB do segundo trimestre, face a igual período de 2012, significa uma perda aproximada de 763 milhões de euros no espaço de um ano. Em termos simples, seria como se cada português tivesse produzido menos 76 euros no segundo trimestre, comparativamente a igual período de 2013.

Por outro lado, uma recuperação de 1,1% no PIB, entre o primeiro e segundo trimestres, corresponde aproximadamente a um ganho para economia de 416,5 milhões, qualquer coisa como 42 euros por português.

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