Economia

Economistas defendem que BCE deve garantir contenção de riscos e manter a calma

Foto.  REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)/File Photo
Foto. REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)/File Photo

Os economistas antecipam que na reunião de quinta-feira o Banco Central Europeu (BCE) vai reconhecer os riscos crescentes para a economia da zona euro e transmitir uma mensagem de calma e conforto, sem avançar novas medidas.

“O senhor Draghi vai continuar com a mesma mensagem, de que os dados macroeconómicos apontam para um abrandamento, que o crescimento económico está mais fraco, mas a expansão na Europa deve manter-se”, considera Rui Bárbara, economista do Banco Carregosa, em declarações à Lusa, acrescentando que “Mario Draghi deve deixar uma palavra de conforto”.

“O presidente do BCE deverá, como se costuma dizer, ‘dar uma no cravo e outra na ferradura’, deverá dizer que as coisas não estão assim tão mal e que o BCE continuará a ter uma política estimuladora”, antecipou.

No mesmo sentido, Bruno Fernandes, economista do Santander, considera que o BCE deve manter nesta primeira reunião de política monetária do ano a abordagem do último encontro de 2018.

“Esperaria uma abordagem em linha com a mensagem de dezembro, com as taxas a manterem-se inalteradas e um reforço da mensagem de ‘forward guidance’ [orientação para a frente] e política de reinvestimentos, com a indicação de que o BCE fará tudo para manter a estabilidade financeira e a estabilidade dos preços da zona euro, em função da evolução dos riscos e dos fundamentos macroeconómicos”, considerou Bruno Fernandes.

Para o economista do Santander, “tendo em conta a perceção crescente dos riscos e revisões em baixa do crescimento mundial, poderemos ter uma mensagem de contenção dos riscos emergentes, reforçando as expetativas de que a liquidez monetária na zona euro nunca será uma restrição ao bom funcionamento da economia real”.

No entender de Rui Bárbara, o presidente do BCE deverá reforçar o fim do ‘quantitative easing’, o programa alargado de compra de ativos lançado em 2015 para estimular a economia, e através do qual a instituição europeia injetou 2,6 biliões de euros no sistema financeiro.

“Acho que Mario Draghi não deverá voltar atrás, e, portanto, não são de esperar grandes novidades na reunião de quinta-feira”, antecipou.

A instituição liderada por Mário Draghi está numa fase intermédia entre a retirada de estímulos do que se pode designar como ‘era de crise’, no âmbito dos quais comprou em larga escala títulos de dívida pública e de empresas, e uma fase em que se depara com uma economia ainda muito frágil para subir as taxas de juro.

Questionados sobre se o BCE deverá dar indicações mais precisas sobre o ‘timing’ de uma eventual subida dos juros na zona euro, o economista do Banco Carregosa antecipou que “Mario Draghi não deverá dar grande ‘guidance’ porque não sabemos como evoluirão os indicadores macroeconómicos” e, possivelmente, manterá o discurso de que “pelo menos até altura X” os juros não deverão subir.

No mesmo sentido, Bruno Fernandes considera que não são de esperar novas indicações sobre quando poderá existir uma subida dos juros, mas que o BCE deverá reforçar que vai continuar a reinvestir os títulos adquiridos no âmbito do programa de compra de ativos por um prolongado período de tempo, mesmo depois de começar a subir os juros, e que irá fazê-lo pelo tempo necessário para assegurar condições de financiamento favoráveis.

“Será interessante verificar em que maturidades e em que tipos de ativos o BCE vai reinvestir” os ativos que forem atingindo a maturidade, comentou Rui Bárbara.

Também os analistas sondados pela AFP esperam que na reunião de quinta-feira o BCE reconheça os riscos crescentes para a economia da zona euro, mantendo ao mesmo tempo a sua postura paciente.

Os analistas consideram que o crescimento económico mais fraco que o esperado pode motivar uma inflação abaixo dos 1,6% previstos pelo BCE para este ano, um argumento que a instituição pode usar para manter os juros no atual mínimo histórico por um período além do final do verão de 2019, como já sinalizado.

Por enquanto, “a estratégia certa para o BCE é manter uma postura calma, mas em alerta máximo, em vez de entrar em pânico e agir de impulso”, comentou Carsten Brzeski, economista do ING Diba.

Porém, se o BCE prolongar o prazo para subir os juros muito além do verão, Mario Draghi poderá terminar o seu mandato em outubro como o único presidente do BCE sem nunca ter subido os juros na zona euro.

Na última reunião de 2018, o BCE deixou os juros inalterados em mínimos históricos e confirmou, como tinha indicado em junho, que o seu programa de compra de ativos terminava no final do ano.

Em dezembro, o BCE indicou também que iria reinvestir “durante um período prolongado” os títulos adquiridos que cheguem ao fim da sua maturidade, de modo a assegurar condições de financiamento favoráveis e não comprometer a recuperação económica, numa altura em que há sinais crescentes de abrandamento.

Na altura, o BCE reviu em baixa as suas previsões de crescimento na zona euro para 2018 e 2019, para 1,9% e 1,7%, respetivamente, uma décima abaixo do que tinha indicado três meses antes, mantendo a previsão de 1,7% para 2020.

Na segunda-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou a estimativa de crescimento da zona euro para este ano, prevendo um crescimento de 1,6% em 2019 (menos 0,3 pontos percentuais que na estimativa anterior), tendo também descido a previsão para 2018 para 1,8% (menos 0,2 pontos percentuais que anteriormente), mantendo a previsão de um avanço de 1,7% para 2020, a mesma que o BCE.

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