Política Monetária

Economistas preveem descidas nas taxas de juro da zona euro em setembro

Sede do Banco Central Europeu
REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)
Sede do Banco Central Europeu REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)

Economistas preveem que a taxa de juro dos depósitos seja reduzida em 10 pontos base, para -0,5%, em setembro.

Vários economistas questionados pela agência Bloomberg preveem que o Banco Central Europeu (BCE) possa baixar as taxas de juro em setembro, com vista a reavivar a economia da zona euro.

De acordo com os economistas, “o BCE vai sinalizar no próximo mês que está pronto para reduzir taxas de juro e depois concretizar o corte em setembro”.

Os economistas consultados pela agência de informação financeira, bem como os mercados monetários, preveem que a taxa de juro dos depósitos seja reduzida em 10 pontos base, para -0,5%, em setembro.

Citado pela Bloomberg, o banco HSBC prevê uma segunda descida em dezembro, ao passo que o holandês ABN Amro vê a segunda redução a acontecer só no início do próximo ano.

Os responsáveis económicos mundiais estavam inicialmente à espera do regresso a taxas de juro mais altas durante o próximo ano, mas poderão agora encontrar um período prolongado de uma política acomodatícia, escreve a Bloomberg.

“A Reserva Federal [Fed, dos Estados Unidos] também deve cortar [as taxas de juro] este ano, enquanto nações incluindo a Austrália, Rússia, Índia e Chile já começaram a baixar”, assinala a agência.

A maior parte dos inquiridos pela Bloomberg disse que o BCE deve introduzir medidas como isenções para aligeirar o impacto das taxas negativas nos bancos.

Os bancos alegam que os custos da medida nas suas reservas não podem ser facilmente passados aos depositantes, o que contrairia a rendibilidade e poderia levar a uma redução do crédito.

Relativamente ao programa de compra de ativos do BCE, uma maioria de 58% dos economistas consultados pela Bloomberg considera que não irá acontecer.

Na semana passada, o presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou em Sintra que a instituição avançará com estímulos adicionais, que podem ser decididos nas próximas semanas, nomeadamente mais compras de ativos e cortes adicionais nos juros, se a inflação não recuperar na zona euro.

Mario Draghi disse que ainda existe “espaço considerável” para mais compras de ativos e acrescentou: “cortes adicionais nas taxas de juros e medidas de mitigação para conter quaisquer efeitos colaterais continuam a fazer parte das nossas ferramentas”.

O Banco Central Europeu terminou o seu programa de compra de ativos no final de 2018, depois de 2,6 biliões de euros de compras desde 2015.

Os analistas que esperam o regresso do programa estimam que as compras poderão durar 15 meses, a um ritmo de 30 mil milhões de euros por mês.

Piet Christiansen, analista do Danske Bank citado pela Bloomberg, espera uma redução de 20 pontos base nas taxas de juro e o regresso do programa de compra de ativos, e diz que “o BCE precisa de chegar em grande para chocar os mercados”.

A Bloomberg lembra que “tais estímulos iriam provavelmente obrigar a mudanças aos limites de compras autoimpostos pelo banco central”, de acordo com o inquérito.

Atualmente, o BCE não pode ter mais de 33% de títulos de dívida de qualquer Estado, ou 25% para títulos com cláusula de ação coletiva, e 50% de dívida emitida por agências supranacionais.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Alberto Souto de Miranda
(Gerardo Santos / Global Imagens)

Governo. “Participar no capital” dos CTT é via “em aberto”

Congresso APDC

“Temos um responsável da regulação que não regula”

Congresso APDC

Governo. Banda larga deve fazer parte do serviço universal

Outros conteúdos GMG
Economistas preveem descidas nas taxas de juro da zona euro em setembro