EDP analisa propostas de compra de ativos, Endesa e Iberdrola já avançaram

Num momento crucial do processo, nenhum dos envolvidos - nem vendedor nem compradores - se querem pronunciar sobre o assunto.

Terminado esta quarta-feira, 31 de julho, o prazo prazo final para a apresentação de ofertas não vinculativas para a compra de ativos hidroelétricos que a EDP quer vender na Península Ibérica, a empresa já estará neste momento a analisar as propostas recebidas.

Fonte conhecedora do processo confirmou ao Dinheiro Vivo que, de facto, existem já várias propostas em cima da mesa que foram entregues à elétrica portuguesa, sendo uma delas a da Iberdrola, sem acrescentar mais pormenores. Isto num momento crucial do processo, em que nenhum dos envolvidos - nem vendedor nem compradores - se querem pronunciar sobre o assunto. Contactadas, EDP, Endesa e Iberdrola não se mostraram disponíveis para prestar declarações.

Esta quinta-feira, a Dow Jones Newswires citou duas fontes próximas do processo que atestam que as espanholas Iberdrola e Endesa já submeteram à EDP as suas ofertas não vinculativas pelos ativos hidroelétricos e renováveis que a EDP Renováveis pretende vender na Península Ibérica. As mesmas fontes não adiantaram o valor das ofertas. A notícia foi publicada inicialmente pela EFE Dow Jones, uma parceira da Dow Jones & Co.

Em março, a EDP lançou um programa de desinvestimentos para angariar pelo menos seis mil milhões de euros para pagar dívida e investir em energias renováveis. A empresa também referiu a intenção de encaixar mais de 2.000 milhões de euros com a venda de negócios não estratégicos para o grupo, identificando sobretudo ativos em regime de mercado e centrais térmicas em Portugal e Espanha. A alienação deverá ser concretizada “nos próximos 12 a 18 meses”, ou seja, algures durante 2020.

Na semana passada, na apresentação de resultados do primeiro semestre de 2019, Ignacio Sánchez Galán, presidente da Iberdrola, confirmou que a empresa estava a analisar se os ativos da EDP encaixam nos seus "critérios de investimento". Isto depois do presidente executivo da Endesa, José Bogas, também ter repetido várias vezes o interesse em comprar as barragens e outros ativos hidroelétricos que a EDP está a vender, confirmando que a elétrica espanhola foi uma das convidadas a participar no processo

Ambas as empresas analisaram o caderno de encargos da operação e submeteram as suas propostas. O documento, enviado a 10 possíveis compradores, obrigados a assinar um contrato de confidencialidade, continua no segredo dos deuses, sabendo-se apenas que a EDP planeia vender os ativos hidroelétricos que detém na Península Ibérica por dois mil milhões de euros. Resta saber se serão todas ou apenas algumas as barragens incluídas no negócio.

Uma coisa é certa, e foi a própria EDP a confirmá-lo: quem comprar os ativos não poderá contar com a cedência das redes de baixa tensão. Em declarações ao Dinheiro Vivo, João Marques da Cruz, administrador da EDP e da EDP Distribuição, negou que esta cedência faça parte do caderno de encargos do processo de venda das barragens que a EDP tem em curso. A confirmação deste ponto chegou também entretanto por parte de fonte conhecedora do processo, que teve acesso ao caderno de encargos.

A EDP contratou dois bancos de investimento – Morgan Stanley e UBS – para gerir a venda das barragens e mini-hidroelétricas, que terão já entrado em contacto direto com pelo menos 10 potenciais investidores. Entre eles as principais empresas energéticas espanholas e vários fundos de investimento, sendo que todos eles manifestaram interesse prévio na compra dos referidos ativos.

Na lista de empresas e fundos que receberam a “documentação” (apresentação dos ativos e respetivo caderno de encargos enviada pelos bancos em nome da EDP) figuram nomes como a Repsol, Iberdrola, Naturgy, Endesa, Engie e os fundos Brookfield, Macquarie (através da sua participada Viesgo) e a alemã Aquila Capital.

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