Energia

EDP anuncia venda ativos renováveis no valor de 800 milhões

António Mexia, CEO da EDP. (Fotografia: Sara Matos / Global Imagens)
António Mexia, CEO da EDP. (Fotografia: Sara Matos / Global Imagens)

Esta é a primeira tranche dos quatro mil milhões de euros do plano de rotação de ativos (venda e reinvestimento), ao longo de quatro anos.

A EDP Renováveis anunciou esta terça-feira em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) chegou a um acordo com os investidores para a venda da sua participação acionista relativa a um portfólio de tecnologia eólica onshore com um total de 997 MW de capacidade instalada, avaliada em 1,6 mil milhões de euros. Estas operações de venda serão feitas em Portugal, Espanha, França e Bélgica.

Na prática, para a EDP Renováveis trata-se de 491 MW líquidos de capacidade instalada, num total de 800 milhões de euros, detendo a empresa uma participação acionista de 51% na maioria dos parques eólicos agora vendidos. A transação está sujeita a condições regulatórias, com conclusão prevista para o segundo trimestre de 2019.

O comunicado sublinha que o valor dos 800 milhões podem ainda estar “sujeito a ajustes aquando da conclusão” do negócio. A EDP diz também que foi estabelecido um “acordo de prestação de serviços operacionais e de manutenção no portfólio mencionado”.

O anúncio da EDP surge precisamente na véspera da assembleia-geral de acionistas da EDP, que decorre na quarta-feira, e que poderá ditar o fim da oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) sobre a energética, se os acionistas chumbarem a desblindagem dos estatutos.

Esta é a assim a primeira tranche (cerca de um quarto) do valor total de quatro mil milhões de euros que o CEO da EDP, António Mexia, anunciou em Londres, em fevereiro, como parte do update estratégico da empresa, que inclui um plano de rotação de ativos (venda e reinvestimento), ao longo de quatro anos. A este valor somam-se ainda mais dois mil milhões de venda de ativos na Península Ibérica.

O presidente da EDP referiu nessa altura que a alienação de ativos pretende “começar pela redução de tecnologias mais poluentes” e que a elétrica não fez “ainda o Tratado de Tordesilhas entre ativos [a alienar] em Portugal e em Espanha”. “Estamos a redimensionar a companhia com reequilíbrio dos ativos para desenvolver projetos na área das renováveis – água, sol e vento”, acrescentou.

Em relação à rotação de ativos, que deverá render cerca de 4.000 milhões de euros nos próximos quatro anos, Mexia adiantou que a estratégia será mais arrojada do que nos últimos anos, uma vez que a empresa passará da venda “só de posições minoritárias para vendas de participações maioritárias, o que reduz o risco, permite acelerar o crescimento, fazer mais projetos ao mesmo tempo”.

Em detalhe, refere o comunicado enviado à CMVM “o perímetro da transação abrange 388 MW em operação em França, 348 MW em operação em Espanha, 191 MW em operação em Portugal
(parte dos ativos ex‐ENEOP) e 71 MW em operação na Bélgica. Os ativos mencionados iniciaram operações há 7 anos, em média. A EDPR já tinha vendido no passado participações minoritárias nestes parques eólicos, nomeadamente em 2013, 2014 e 2016, e chega agora a um acordo para vender as restantes participações que detinha nestes projetos“.

“A alienação anunciada hoje faz parte do programa de rotação de ativos para o período de 2019‐22, tal como mencionado no Strategic Update anunciado a 12 de Março de 2019. A alienação de participações maioritárias em projetos em operação ou em desenvolvimento, continuando a prestar serviços de operação e de manutenção, permite à EDPR acelerar a criação de valor e antecipar ganhos, enquanto recicla capital para reinvestir em crescimento adicional”, concluiu a empresa.

OPA morre ou mantém-se de pé?

Na assembleia geral de amanhã, depois de deliberarem sobre as contas e a aplicação dos resultados de 2018, no ponto nove da ordem dos trabalhos os acionistas têm que se pronunciar sobre a alteração dos estatutos da sociedade para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital.

A introdução deste ponto na assembleia anual de acionistas foi proposta pelo fundo Elliott, que detém 2,01% do capital da EDP, que explicita que, “caso a deliberação não obtenha uma maioria qualificada de dois terços dos acionistas presentes na assembleia-geral anual de 24 de abril de 2019, o limite de voto permanecerá em vigor”.

“Tal resultado deve não só permitir o fim imediato da oferta na sua forma atual, como também proporcionar à sociedade a certeza necessária para planear o futuro”, considerou o fundo quando enviou a proposta de adenda que foi aceite pelo vice-presidente da mesa da assembleia-geral, Rui Medeiros, em 01 de abril.

Entretanto, na segunda-feira, a CTG esclareceu que se mantêm em vigor todas as condições da OPA, incluindo a desblindagem de estatutos, pelo que sem isso a operação não avança.

Na carta enviada pelo presidente da CTG Europe, Wu Shengliang, divulgada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo chinês diz ainda que “respeitará as decisões adotadas pelas autoridades e pela assembleia-geral” e afirma que permanecerá como investidor estratégico “de longo prazo da EDP”, independentemente do resultado final da oferta.

Em 12 de abril, a CMVM tinha alertado para que se os acionistas da EDP rejeitarem, na assembleia-geral, a proposta de alteração estatutária do fundo Elliot dá-se “a não verificação” de uma das condições para o registo da oferta da CTG sobre a elétrica, pelo que a operação não avança.

O regulador dos mercados financeiros disse que a exceção é “no caso de o oferente [a CTG] exercer a faculdade de renúncia à referida condição”, o que a posição de segunda-feira da CTG exclui.

A OPA feita à EDP pela China Three Gorges, empresa estatal chinesa que já detém 23,27% da elétrica portuguesa, foi anunciada em maio de 2018 e prevê uma contrapartida de 3,26 euros por ação.

Antes da votação que decide o futuro da oferta, os acionistas deliberam sobre a eleição de Luís Palha da Silva, presidente da Pharol, para presidente da mesa da assembleia-geral da EDP até 2020, substituindo António Vitorino, que renunciou ao cargo no ano passado.

O presidente da mesa da assembleia-geral da EDP é, por inerência estatutária, membro do Conselho Geral e de Supervisão, para o remanescente do mandato em curso (2018-2020).

Na ordem do dia estará também a proposta do Conselho de Administração da EDP de manutenção do dividendo aos acionistas relativo a 2018 nos 19 cêntimos por ação.

A EDP fechou 2018 com lucros de 519 milhões de euros, um recuo de 53% face aos 1.113 milhões de euros em 2017.

Com Lusa

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