Energia

EDP continua a perder quota de mercado e lança “desconto de amigo”

Vera Pinto Pereira, Executive Board Member na EDP Energias de Portugal SA e CEO EDP Comercial, (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Vera Pinto Pereira, Executive Board Member na EDP Energias de Portugal SA e CEO EDP Comercial, (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Para Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP, a queda de quota de mercado da empresa é "irreversível"

Entre novembro e dezembro de 2018, a EDP Comercial viu a sua quota no mercado regulado de eletricidade cair 0,3 pontos percentuais para os 81%, de acordo com o último boletim da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) publicado esta terça-feira. A elétrica mantém ainda assim a sua posição como principal operador no mercado livre em número de clientes (81%). No entanto, a perda de quota é uma tendência que já vem a ocorrer desde janeiro de 2018, sublinha o regulador.

O boletim da ERSE de janeiro de 2018 atribuía, nessa altura, à EDP Comercial 83,8% do total de clientes do mercado livre. Em dezembro passado eram 81,8%. Nos grandes consumidores a EDP também está a perder quota, encontrando-se já em 2º lugar a seguir à Iberdrola. A EDP só está a ganhar quota nos clientes industriais, onde ocupa o lugar do terceiro comercializador, com 19,2% dos clientes.

Recentemente, a empresa lançou a campanha “EDP Desconto de Amigo”, que oferece um desconto de 11% (na oferta dual, eletricidade e gás) e 8% (só na luz) aos atuais clientes da empresa que recomendem novos clientes, que por sua vez assinem contrato com a elétrica. Na prática, quem recomenda um novo cliente faz também uma nova adesão e fica a pagar 450,02 euros por ano, de acordo com o simulador da ERSE. Já os “amigos” que aderem a um novo contrato vão parar a um tarifário de 476,70 euros, acima da tarifa praticada no mercado regulado (476,31 euros).

“O início do ano é pródigo em descontos vários, como este desconto de amigo da EDP. A questão é que a empresa já tem uma quota superior a 80% e quem os amigos angariados ficam com preços acima da tarifa regulada”, sublinhou Pedro Silva, especialista em energia da Deco.

Em reação, fonte oficial da EDP esclareceu que “o tarifário Desconto de Amigo, lançado já em dezembro, insere-se na dinâmica de evolução oferta da EDP que visa ir ao encontro de necessidades do mercado”. E reconheceu: “Este tarifário pretende agilizar a estratégia de angariação”.

“Ao longo de 2018 foram lançadas diversas novas ofertas, como as soluções de mobilidade elétrica, um produto solar mais completo, a campanha promocional do serviço funciona, entre outros, como este tarifário que pretende agilizar a estratégia de angariação e privilegiar uma relação mais digital com os clientes”, sublinhou a mesma fonte.

Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP, disse esta semana que a queda de quota da empresa é “irreversível” por espelhar a “maturidade do mercado livre”, e rejeitou qualquer relação entre a perda de clientes e possíveis danos na reputação da empresa por causa das rendas excessivas, numa entrevista ao Jornal de Negócios.

“É nossa expectativa que a quota possa continuar a baixar”, disse, rejeitando os planos para alargar a fidelização nos contratos ao mercado residencial (depois de já o terem feito com as empresas) mas garante que poderão surgir “outras configurações de tarifários” para clientes domésticos: como os “pré-pagos ou a happy hour”. Esta é uma tendência nova em Portugal a que a Deco está muito atenta e a estudar o impacto nos consumidores.

Em sentido contrário, e a ganhar clientes, está a Endesa (5,7%) e a Iberdrola (84,9%) que viram as suas quotas avançar em 0,1 pontos percentuais e 0,2 pontos percentuais respetivamente. “Todas as demais comercializadoras mantiveram sensivelmente as suas quotas: a Galp (5,1%), a Goldenergy (1,7%), a GN Fenosa (0,6%), a PH (0,2%)”, refere o boletim da ERSE.

No segmento de grandes consumidores, a Iberdrola (30,7%), líder do segmento, manteve a sua quota face aos valores de novembro de 2018. Em seguida, encontram-se a EDP (20,9%) e a Endesa (17,8%) que registaram uma diminuição das suas quotas em 0,2 pontos percentuais e 0,1 pontos percentuais, respetivamente. Contrariamente, a Fortia (14,7%), a Galp (8,4%) e a Acciona (3,8%) viram as suas quotas aumentar em 0,1 pontos percentuais.

“O segmento de clientes industriais é aquele que apresenta um maior potencial de intensidade competitiva”, analisa o boletim da ERSE. Em dezembro, a Endesa (27,2%) manteve a liderança neste segmento, apesar de ter visto diminuir as suas quotas em 0,1 pontos percentuais, face a novembro de 2018. Segue-se a Iberdrola (21,4%), que apresentou um decréscimo de 0,1 pontos percentuais na sua quota e a EDP (19,2%) um aumento das suas quotas em 0,3 pontos percentuais.

De acordo com a ERSE, o mercado livre (94% do consumo total em Portugal) alcançou em dezembro de 2018 um número acumulado superior a 5,1 milhões de clientes, com um crescimento líquido de cerca de 11,5 mil clientes face a novembro. O número de clientes no mercado livre cresceu 0,2% em dezembro face a novembro. Desde dezembro de 2017, o número de consumidores no mercado livre cresceu 2,7%, a uma taxa média mensal de 0,2%.

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